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Região ibero-americana tem desafio de acabar com brecha laboral das mulheres

07/03/2016 14h19

Macarena Soto

Madri, 7 mar (EFE).- A região ibero-americana é a que mais teve presidentas ao longo da história no mundo (nove), atualmente é a segunda em número de ministras (22,9%) e a maioria dos países registra um acesso paritário à educação, mas enfrenta o desafio de superar sua lacuna social e laboral.

Assim, a região ainda tem muito a caminhar para alcançar a igualdade de gênero e a conciliação e é difícil falar de equiparação de sexos quando as mulheres ainda têm que escolher entre sua família e o trabalho ou desenvolver um cargo público.

A Secretária-Geral Ibero-Americana, Rebeca Grynspan, reconhece os obstáculos que existem para as mulheres ibero-americanas, mas ao mesmo tempo lembra que os países continuam trabalhando para eliminá-los.

"Não há dúvida de que houve um grande avanço em determinadas áreas como a incorporação das mulheres ao mercado de trabalho assalariado e a participação política por conta das leis de cotas, mas também há outros âmbitos nos quais seguimos atrasados", declara a Efe Grynspan.

Nesse sentido, a Secretária-Geral afirma que esses avanços não se deram na discriminação salarial, onde ainda há "uma brecha enorme" e na qual também persiste uma "dívida com todas as mulheres" que não podem conciliar família e trabalho.

Além disso, a secretária lembra que a região tem "uma ferida dilacerante" pela violência de gênero que, segundo explica, fez com que "muitos códigos penais incluíssem a figura do feminicídio".

Desde a Secretaria-Geral Ibero-Americana (Segib) sublinham que todos os países que conformam a região - os 19 latino-americanos, Espanha, Portugal e Andorra - assinaram convênios internacionais de defesa dos direitos das mulheres e muitos deles contam com políticas específicas, embora alerte para a "persistência" dos desafios.

"A persistência de altos níveis de desigualdade e exclusão social na região, que afeta de forma desproporcional as mulheres, nos demonstram que ainda resta um longo caminho para percorrer", disse à Agência Efe Claudia Briones, encarregada de gênero em Segib.

Além disso, Briones aponta que os dados de redução da pobreza e o aumento do PIB em países da região, sobretudo na América Latina, "não beneficiou de forma equitativa homens e mulheres".

"Existe uma tendência de feminização da pobreza", avalia Briones, que se refere a um relatório do Fórum Econômico Mundial para lembrar que as mulheres ganham atualimente "a mesma quantidade que os homens em 2006" e esta brecha "não terminará antes de 118 anos".

Outro obstáculo é a carga de trabalho de cuidados e tarefas domésticas não remuneradas, onde o tempo que usado pelas mulheres está entre o dobro e cinco vezes mais que os homens.

Segundo Briones, sua medição e valorização é "crucial" para poder desenhar políticas públicas e conseguir uma "melhor e mais igualitária" repartição destas tarefas para a qual alguns dos países da região "já realizaram grandes esforços" através de pesquisas de uso do tempo.

"Nossas sociedades têm que outorgar à família, ao cuidado e à criação seu devido reconhecimento. Não podemos falar de igualdade real na medida em que as mulheres tenham que seguir elegendo entre ter uma família, um trabalho ou ocupar um cargo político", diz.