Europa crescerá modestamente, influenciada por riscos como o "Brexit"

Céline Aemisegger.

Bruxelas, 3 mai (EFE).- A União Europeia (UE) e a zona do euro crescerão apenas modestamente em 2016 e 2017, ao se dissiparem gradualmente fatores favoráveis como a queda dos preços do petróleo e a desvalorização do euro, e por encarar "incertezas substanciais" em torno de tensões geopolíticas e de um eventual "Brexit".

Essa é a avaliação da Comissão Europeia (CE), que rebaixou nesta terça-feira em um décimo suas previsões de crescimento para os 28 e para os países da zona do euro para este ano e o próximo, até 1,6% e 1,8% do PIB no caso da zona do euro e 1,8% e 1,9% no da UE em seu conjunto.

A CE atribuiu este arrefecimento ao fato de "começarem a minguar" a atividade de alguns parceiros comerciais-chave e de alguns dos fatores favoráveis que apoiavam o crescimento, como a queda dos preços do petróleo e a passada desvalorização do euro.

As incertezas em torno de suas projeções "são substanciais" e as previsões para a Europa estão "expostas a consideráveis riscos para baixo".

Quanto aos fatores externos, o risco de um arrefecimento da atividade econômica em mercados emergentes, particularmente na China, "poderia provocar efeitos de contágio mais fortes ou ser pior do que o esperado atualmente", afirmou a Comissão.

Também a incerteza relacionada com "tensões geopolíticas permanece elevada, e poderia afetar as economias europeias mais negativamente do que o previsto neste momento", destacou a CE.

Entre os riscos e fatores que também podem frear o crescimento europeu estão os "movimentos abruptos nos preços do petróleo e dificuldades financeiras".

Entre as questões internas, a CE vê riscos "consideráveis" associados a políticas europeias, "como o ritmo de implementação das reformas estruturais e a incerteza diante do referendo britânico", no dia 23 de junho, sobre a permanência ou não do Reino na UE.

"Um fracasso na hora de encontrar soluções comuns em nível da UE e desafios comuns de natureza econômica e não econômica também poderiam impactar o consumo privado e atrasar ainda mais a recuperação prevista de investimentos", advertiu a CE.

Por outro lado, podem ter um maior impacto positivo do que o esperado as reformas estruturais e a transmissão de uma política monetária muito flexível exercida pelo Banco Central Europeu (BCE) à economia real, indicou a Comissão.

Para o comissário europeu de Assuntos Econômicos e Financeiros, Pierre Moscovici, continuar com a consolidação fiscal e as reformas estruturais é de uma "importância fundamental".

O PIB deve avançar ou permanecer estável na maioria dos países-membros da UE em 2016 e 2017, embora não tanto como previsto anteriormente em muitas das principais economias.

Só a Grécia continuará a enfrentar uma queda do PIB este ano - de 0,3%, antes voltar a crescer na segunda metade do ano e acelerar esta tendência até conseguir uma expansão de 2,7% do PIB em 2017.

A Irlanda é a economia que mais crescerá este ano, 4,9%, mas perderá o posto para Luxemburgo no ano que vem (3,9%).

A Alemanha viu rebaixado em dois décimos seu crescimento até 1,6%, tanto para 2016 como para 2017, e as perspectivas para a Itália pioraram três décimos para este ano, até 1,1%, e se mantiveram em 1,3% para 2017.

Para a França a CE manteve os cálculos de 1,3% e 1,7% do PIB, e para a Espanha queda de dois décimos para este ano (para 2,6%) e manteve os do próximo (2,5%).

Fora da zona do euro, o Reino Unido crescerá menos que o esperado, com crescimento de 1,8%, abaixo dos 2,1% previstos anteriormente, e no próximo de 1,9%, queda de dois décimos em relação à avaliação anterior.

A UE não só cresce moderadamente, mas também avança no mesmo ritmo para diminuir a taxa de desemprego.

A CE espera que o desemprego caia na zona do euro para 10,3% em 2016 e 9,9% em 2017, e na UE de 8,9% a 8,5%.

A inflação permanecerá perto do 0%, em 0,2% na zona do euro este ano, antes de aumentar para 1,4% em 2017.

Por último, a CE calculou que o déficit geral da zona do euro cairá de 2,1% do PIB em 2015 para 1,9% em 2016 e 1,6% em 2017, enquanto a dívida descerá sete décimos este ano, para 92,2% e 1,1 pontos percentuais no próximo, até 91,1%.

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