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Café torna-se uma porta para o turismo e a educação na Colômbia

Valentina Mugno P.

Armênia (Colômbia), 11 mai (EFE).- Os cafezais do departamento de Quindío, no centro da Colômbia, se transformarão em imensas salas de aula para receber visitantes estrangeiros interessados em conhecer o processo que transforma o grão mais suave do mundo em uma perfeita xícara de café.

A iniciativa da rede de cafeterias Café Quindío e da escola italiana de café Umami busca unir educação e turismo em torno de um dos principais produtos de exportação do país.

A Café Quindío, que há 25 anos se dedica à torragem do grão, apostou em um acampamento para que 30 estrangeiros de diferentes elos da cadeia de produção do café aprendessem a árdua tarefa que há por trás de cada xícara que preparam.

"Estamos convencidos de que este tipo de atividade contribui com o posicionamento do café de nossa região no mundo, promove o turismo da região declarada pela Unesco como paisagem cultural cafeicultora e fomenta consciência sobre o comércio justo", declarou a gerente da Café Quindío, Laura Moreno.

O primeiro "Plano de exportação de educação de café na Colômbia", como decidiram chamá-lo, convida pessoas de diversas nacionalidades para que durante dez dias realizem os trabalhos de campo, industrialização e preparação para conseguir uma xícara perfeita de café especial 100% colombiano.

O terreno nesta região influencia na variedade do grão, especialmente a altitude que "vai dos 1.200 aos 1.500 metros o que brinda ao café muitos perfis de xícaras diferentes", comentou o presidente da Escola de Café de Umami, na Itália, Andrej Godina, um dos organizadores.

O café colombiano tem a vantagem de crescer em uma "boa terra", mas a questão da qualidade sempre é que "é muito fácil diminuí-la se você o trabalha mal, se o torra mal. E se o prepara mal, um excelente café pode ser arruinado muito facilmente", declarou à Efe um dos professores, Andrea Onelli.

Alguns dos estrangeiros que virão como professores têm experiência em outros acampamentos onde aprenderam diversas técnicas que podem mostrar aos cafeicultores colombianos para que eles, por sua vez, divulguem os conhecimentos na região.

Os organizadores do acampamento também buscam conscientizar os estrangeiros que se dedicam a colher, preparar ou torrar o café sobre o trabalho dos cafeicultores colombianos para promover o comércio justo deste produto, que é uma das bases da economia do país sul-americano.

"Queremos que eles, que estão na última parte da cadeia, entendam por que se deve fazer um pagamento justo", enfatizou Moreno.

Os professores tiveram a oportunidade de colher café e manifestaram que não eram conscientes do trabalho dos cafeicultores. "Quando você trabalha na colheita entende a fadiga que há por trás de cada grão", disseram de forma unânime.

Além disso, o acampamento destinará espaços para o comércio entre os professores e seus aprendizes.

"A última parte que faremos com empresários e comitês da região é um espaço de negociações para venda de maquinaria de café, de café verde e café tostado", acrescentou Moreno.

Os organizadores pretendem que este acampamento seja um evento permanente para aumentar o turismo durante a temporada de colheita, entre abril e outubro, meses nos quais há menos viajantes na região do eixo cafeicultor, formada pelos departamentos de Quindío, Risaralda e Caldas.

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