Investigação de imprensa alemã aponta para manipulação em dois modelos Opel

Berlim, 13 mai (EFE).- Uma investigação da revista alemã "Der Spiegel", do programa "Monitor" da televisão pública "ARD" e da organização ambientalista Deutsche Umwelthilfe aponta para possíveis manipulações de emissões poluentes em dois modelos diesel da Opel: Zafira e Astra.

Segundo o relatório apresentado nesta sexta-feira, no Zafira 1.6 CDTi há um software que desconecta os dispositivos de limpeza das emissões poluentes em várias ocasiões, dependendo de fatores como temperatura, velocidade e rotação.

Os testes realizados indicam que o software do motor é programado para que esses dispositivos de limpeza sejam desativados quando a temperatura exterior for inferior aos 17 graus ou superar os 33, quando circula a mais de 140 km/h, acima dos 850 metros ou a mais de 2.400 rotações.

No caso do Astra 1.6 CDTi, a investigação da ONG ambientalista Deutsche Umwelthilfe também mostrou "valores alarmantes" de emissões em testes realizados na estrada.

Em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério alemão de Transportes Ingo Strater garantiu que a comissão criada após o escândalo de manipulação de emissões nos modelos diesel da Volkswagen analisará as novas denúncias sobre a Opel.

Em comunicado emitido ontem, quando os meios de comunicação envolvidos avançaram parte de seu relatório, a empresa afirmou que em nenhum momento utilizou em seus veículos programas que permitam detectar se um carro está sendo submetido a um teste de emissões.

"Nosso software nunca foi projetado para enganar ou fraudar", manifestou a Opel após ressaltar sua total colaboração com as investigações realizadas pelas autoridades alemãs após o escândalo da Volkswagen.

Em 22 abril, o ministro alemão de Transportes, Alexander Dobrindt, alertou que 17 fabricantes de veículos aos quais tinha investigado poderiam estar desligando de maneira irregular os dispositivos de controle de emissões de alguns de seus modelos, poluindo assim na realidade mais do que o permitido.

Da análise de 53 modelos diesel, afirmou o ministro, se desprende que "nenhum" conta com um dispositivo que "maqueie" as emissões como o que montou a Volkswagen em milhões de unidades, mas as suspeitas levaram o Ministério a acordar com os fabricantes alemães uma revisão "voluntária" de 630 mil veículos.

As marcas e modelos alemães afetados são Audi (A6), Porsche (Macan), Volkswagen (Amarok, Crafter), Opel (Insígnia, Zafira) e Mercedes (V250 bluetec).

Os modelos de fabricantes não alemães são Alfa Romeo (Giulietta), Chevrolet (Cruze), Dácia (Sandero), Fiat (Ducato), Ford (C-Max), Hyundai (ix35, i20), Jaguar (XE), Jeep (Cherokee), Land Rover (Range Rover), Nissan (Navara), Renault (Kadjar) e Suzuki (Vitara).

A ONG ambientalista Deutsche Umwelthilfe enviou todos os estudos realizados nos últimos meses ao Ministério alemão de Transportes e pediu à Opel que paralise a venda de todos os modelos diesel da firma com esses dispositivos "ilegais".

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