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Jatos privados e filantropia paga: a vida dos grandes executivos nos EUA

Marc Arcas.

Washington, 23 mai (EFE).- Não é um segredo para ninguém que os diretores das grandes empresas recebem salários inimagináveis para o cidadão comum, mas o cargo também tem outras vantagens menos conhecidas como usar o avião da empresa para as férias ou figurar como filantropo às custas da companhia.

Em um momento no qual a classe média nos Estados Unidos, e em todo Ocidente em geral, está minguando e a lacuna entre ricos e pobres se acentua cada vez mais, basta dar uma olhada nos benefícios de que dispõem os executivos com melhores salários da lista da revista "Fortune" para se ter uma ideia dos tempos em que vivemos.

A "Fortune 100" reúne as 100 empresas de maiores receitas dos EUA e na lista estão gigantes como Wal-Mart, Exxon Mobil, Chevron, Berkshire Hathaway, Apple, General Motors, Phillips 66, General Electric, Ford, CVS, AT&T, Valero, United Health, Verizon, Costco, Hewlett-Packard, JP Morgan Chase, Boeing e Amazon.

Provavelmente a vantagem mais curiosa é a das doações beneficentes pagas, ou seja, os executivos-chefes e outros cargos de direção de grandes empresas recebem dinheiro de sua companhia para fazer doações a título pessoal a organizações caridosas.

De acordo com a Equilar, uma empresa americana dedicada a estudar e fornecer informação salarial e outros dados sobre o mundo corporativo, até 15% dos executivos das companhias da lista "Fortune 100" recebem dinheiro para doá-lo a organizações sem fins lucrativas.

A média de quanto os diretores da "Fortune 100" recebem ao ano para realizar doações beneficentes é de US$ 16.383, com o que asseguram uma boa imagem e prestígio social às custas da companhia.

O fato de que as maiores empresas do mundo dispõem de aviões privados para transportar seus diretores e para outros compromissos quando for necessário não é nenhum segredo, mas o que não é tão conhecido é que muitos destes executivos podem usar o avião da empresa para viajar nas férias e outros assuntos pessoais.

Mais da metade dos altos executivos das companhias da Fortune 100 tem permissão para utilizar o avião corporativo em seu tempo livre, e embarcar nele com sua família e amigos.

Segundo a Equilar, um diretor de uma empresa à qual eles preferiram não identificar gastou até US$ 1 milhão da companhia em 2014 em voos realizados por assuntos pessoais.

Também não é um segredo para ninguém que nos ambientes nos quais circulam estes executivos seja habitual pertencer a um clube exclusivo para jogar golfe, dividir drinques com outros membros da "alta sociedade" e, em geral, cultivar relações sociais do mais alto nível.

No entanto, não deixa de ser chocante saber que um de cada dez diretores da "Fortune 100" não pagam o clube de seu próprio bolso, uma vez que a empresa custeia sua associação, algo contemplado na lista de benefícios associados ao cargo.

Além destes benefícios, muitos dos executivos-chefes, conselheiros financeiros e outros altos cargos das grandes corporações também dispõem de guarda-costas, motorista pessoal e casa bancada pela empresa, assim como, em alguns casos, de uma verba não incluída no salário e destinada a todo tipo de "gastos extras".

Como se tudo isso não fosse bom o bastante, nem todos os benefícios são perdidos com o cargo, uma vez que é possível desfrutar de alguns deles mesmo depois de ter deixado o posto, como é o caso do ex-executivo-chefe da companhia aérea United Airlines, Jeff Smisek.

Smisek, que foi demitido no ano passado em meio a um escândalo por suposta corrupção, recebeu uma indenização de US$ 36,8 milhões, além de ficar com o carro da companhia, vagas de estacionamento em aeroportos de todo os EUA e voos gratuitos com a United por toda a vida.

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