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Lagarde celebra medidas do Cazaquistão, mas pede mais políticas inclusivas

Astana, 24 mai (EFE).- A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, qualificou nesta terça-feira de "apropriadas" as medidas tomadas pelo governo cazaque em relação à crise econômica que o país atravessa pela baixa do preço do petróleo.

Embora Lagarde não espere que a situação melhore com rapidez, a diretora reconheceu que as autoridades cazaques realizaram as políticas corretas deixando a moeda cazaque, o tenge, em livre flutuação, o que permitiu a aparição de "novas oportunidades para os exportadores e produtores de bens e serviços".

"Com marcos políticos fortes, instituições mais transparentes e políticas mais abertas e inclusivas, o Cazaquistão criou um círculo virtuoso de políticas para conseguir um crescimento sustentável, diversificado e inclusivo", sustentou Lagarde.

A economia cazaque deve crescer neste ano 0,1%, um número notavelmente baixo em comparação com a taxa de crescimento média de 7,5% dos últimos 15 anos.

A governante do Fundo visitou o Cazaquistão por ocasião da Conferência Regional do FMI, que pretende criar debate entre os países centro-asiáticos sobre como atuar frente aos desafios econômicos e orientar corretamente seu crescimento.

Lagarde considerou que o Cazaquistão é um país com um "futuro promissor", ao mesmo tempo que lembrou que é um importante exportador de petróleo e tem uma boa localização estratégica entre o continente europeu e China.

"Alguns dirão que a Ásia Central enfrenta a uma situação difícil ao não ter saída para o mar. Eu diria que estão abençoados pelos vizinhos sistêmicos e dinâmicos que os rodeiam: China e Rússia por um lado e Europa, Índia e Sul da Ásia pelo outro", disse Lagarde.

"Portanto, se a região se transformar na principal artéria da iniciativa chinesa -uma rota - é necessário aprofundar na integração tanto em nível interno como em nível mundial", acrescentou.

Igualmente Lagarde indicou que a recente adesão do Cazaquistão à Organização Mundial do Comércio (OMC) "é um passo importante nesta direção. Segundo algumas estimativas, a entrada na organização internacional suporá um aumento de 3,7% do PIB a médio prazo e próximo a 10% a longo prazo".

Mesmo assim, Lagarde sustentou que enquanto o preço do petróleo se mantiver estagnado, o Cazaquistão "deve encontrar a maneira de se desligar de sua dependência do petróleo como a principal fonte nacional de ingressos".

Lagarde também advertiu que o governo poderia ter de cortar algumas verbas orçamentárias para proporcionar mais recursos aos serviços sociais e à criação de emprego.

"A diversificação da economia faria o entorno empresarial e a economia mais competitiva, mais integrada regional e mundialmente e mais aberta e inclusiva. Sabemos que há um interesse considerável no Cazaquistão como ponte entre Europa e Ásia", disse Lagarde.

A responsável do FMI comentou estas medidas com o presidente cazaque, Nursultan Nazarbayev, informou o serviço de imprensa da presidência.

"Os especialistas do FMI nos proporcionaram uma grande ajuda técnica e financeira. A economia do Cazaquistão está passando por um incômodo período devido a diferentes fatores. Durante seis anos nossa república implementou medidas para reduzir a dependência das matérias-primas", explicou Nazarbayev.

A visita da diretora-gerente do FMI coincidiu com a abertura amanhã do Fórum Econômico de Astana, uma plataforma para o diálogo internacional que possibilita um debate sobre o desenvolvimento econômico.

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