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Números vertiginosos ajudaram a dar forma à ampliação do Canal do Panamá

Cora Serrano.

Cidade do Panamá, 28 mai (EFE).- Faltando menos de um mês para a inauguração, com um grande ato protocolar, da ampliação do Canal do Panamá, esta emblemática obra teve magnitude vertiginosa: concreto equivalente a duas pirâmides de Quéops, aço suficiente para erguer 22 torres Eiffel, o uso de 10 mil trabalhadores e o resgate de 4.200 animais.

Quase sete anos depois que a espanhola Sacyr, a italiana Salini Impregilo, a belga Jan de Nul e a panamenha Cusa adquiriram o contrato por US$ 3,2 bilhões (calcula-se que seu custo final será de cerca de US$ 5 bilhões), tornar realidade o terceiro setor de eclusas de embarque - a pedra fundamental do novo canal - não foi tarefa fácil.

Terremotos, falhas ativas, nove meses de chuva por ano, transferir 16 comportas com um peso total de 50 mil toneladas, coordenar trabalhadores de 40 nacionalidades, não afetar a navegação existente, economizar água e a própria complexidade técnica, logística e administrativa foram alguns dos obstáculos enfrentados neste desafio da construção na história moderna.

Após um século de história, a via interoceânica permitiu o trânsito de mais de 700 mil embarcações, a maior parte para servir às necessidades comerciais entre o extremo oriente e a costa atlântica dos Estados Unidos.

No entanto, apesar de as reformas para o aumento da capacidade e da diminuição do tempo de viagem terem sido constantes ao longo do século 20, o gargalo no qual tinham se transformado as eclusas de embarque originais obrigou a construção de um novo jogo paralelo ao existente.

A ampliação duplicará sua atual capacidade, que passará de 330 milhões a 600 milhões de toneladas ao ano, permitirá a passagem de navios Post Panamax, de 366 metros de comprimento, e empregará um sistema de tinas que são capazes de voltar a utilizar até 60% da água necessária em uma manobra.

O volume de concreto fabricado para as eclusas de embarque chegou a 4,5 milhões de metros cúbicos, o equivalente a 2,2 pirâmides de Keops ou a 450 edifícios de 20 andares.

O aço utilizado, cerca de 220.000 toneladas, equivale ao que teria sido necessário para construir 22 torres Eiffel. Além disso, foi regulado um desnível de 27 metros.

O canal utiliza a rota escavada parcialmente pelos EUA entre 1939 e 1942 e abandonada durante a Segunda Guerra Mundial. Em cada lado foram construídas nove tinas, três por cada câmara, e o tempo de eclusagem (encher/esvaziar) é de 17 minutos e economiza 7% de consumo de água.

A construção das oito comportas foi realizada na Itália e trabalharam nelas cinco oficinas da companhia Cimolai durante 36 meses. Todas foram transportadas de Trieste, a 11.000 quilômetros de distância.

As maiores, com 33 metros de altura, 55 metros de comprimento e 4.300 toneladas, se situam no lado do Pacífico por seu maior risco sísmico e suas fortes marés.

Há cerca de 150 válvulas instaladas que administram a entrada de água e que foram fabricadas na Coreia do Sul pela empresa Hyundai e contam com um sistema que administra a operação das comportas, no qual participou a espanhola Indra.

Além disso, foi necessário esfriar os áridos com gelo ou jatos de água fria, erguido um acampamento para 900 trabalhadores e preparados 170 ônibus com 60 rotas a serviço dos empregados.

Durante os trabalhos foram recuperados mais de 4.200 animais - 381 deles crocodilos - e reflorestados mais de 2.800 hectares.

O canal contribui para 6% do PIB anual do país, gera 13.100 trabalhos diretos, obteve US$ 2,61 bilhões de faturamento e registrou mais de 12.300 trânsitos.

Os Estados Unidos são os principais usuários do canal por carga transportada, seguidos de China, Japão, Colômbia, Coreia do Sul, Peru, México, Equador, Canadá e Panamá. O canal recebe cerca de 5% do comércio mundial.

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