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Mercado de tapetes persas começa a se recuperar com demanda dos EUA

Artemis Razmipour.

Shiraz (Irã), 29 mai (EFE).- O mercado de tapetes persas, um dos produtos mais estimados do Irã, começou a se recuperar com os primeiros pedidos procedentes dos Estados Unidos após a entrada em vigor do acordo nuclear, que encerrou, entre outras coisas, as duras sanções contra a indústria têxtil iraniana.

Na sulina província iraniana de Fars, um dos mais prestigiados centros de produção de tapetes persas tecidos à mão, o trabalho é intenso para atender aos primeiros pedidos de empresas americanas, após Washington finalmente autorizar a entrada desses produtos, símbolos de arte, luxo e qualidade.

Hamid Zollanvari, um dos maiores fabricantes de tapetes, esclareceu que "depois do fim das sanções, houve uma demanda de dois mil metros de tapetes dos EUA, que devem ser entregues antes de janeiro de 2017".

Esse número ainda está longe da demanda existente na região antes da imposição das sanções, que de forma explícita proibiam a venda de tapetes de origem iraniana aos Estados Unidos.

"O Irã exportava anualmente US$ 200 milhões em tapetes aos EUA. Desde a eliminação das sanções, só foram recuperados US$ 9 milhões desse número", analisou Zollavari, que se mostrou confiante na recuperação total desse mercado.

De acordo com o empresário, "dia a dia vai aumentando o interesse pelos tapetes tecidos à mão entre os americanos e europeus" e a expectativa é exportar em breve o dobro da quantidade do passado para compensar "a escassez dos anos das sanções".

Com esse objetivo, os fabricantes tradicionais começaram a estudar os mercados e consultar em cada país as preferências de cor e design para produzir tapetes segundo o gosto de cada região.

"Por exemplo, na Espanha estão mais interessados nas cores frias como azul e variações de verde, azul e branco, então tentamos desenhar e produzir tapetes com esses tons", detalhou o fabricante.

Durante o período de sanções, a proibição dos EUA e as dificuldades de outros mercados, como o europeu, para pagar pelos produtos fez com que os clientes procedessem de outros países, como Índia, China e Nepal.

Apesar de reconhecer que agora será preciso se "esforçar muito" para recuperar seu mercado, os fabricantes iranianos sabem que a qualidade de seus produtos "é incomparável" com a de qualquer outro produtor.

Morteza Talebi, produtor, vendedor e chefe do conselho do mercado tradicional de tapetes Vakil da cidade de Shiraz, explicou que por enquanto "nenhum produto pode substituir o tapete persa, que quanto mais velhos for, mais valor tem".

A qualidade do tapete persa não vem só do design e da paciência dos fabricantes, que podem demorar anos de trabalho para completar um pedido, também tem a ver com a qualidade da matéria-prima.

O ciclo dos tapetes começa na primavera com a tosa da lã dos cordeiros criados na cadeia montanhosa dos Zagros, que atravessa o Irã em diagonal do Cáucaso até o Golfo Pérsico. Como consequência do clima e do meio ambiente, essa lã é de longos fios, característica que fornece durabilidade ao tapete.

Além disso, as tinturas são feitas com frutas e vegetais naturais, que, segundo explicou à Agência Efe um tintureiro, podem alcançar uma variedade de até 200 cores.

"O romã nos dá uma preciosa cor amarela. A flor da reseda, que é um arbusto selvagem, proporciona um atrativo dourado. Aproveitamos o marrom creme da crosta verde da noz. Para a cor verde usamos o eucalipto e para conseguir o verde de oliva usamos a folha de parreira", descreveu.

O Irã permite que cada turista leve para o exterior, livre de impostos, até 20 metros de tapetes, desde que os produtos não tenham mais de cem anos.

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