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Protestos contra reforma trabalhista na França chegam ao transporte público

Ángel Calvo.

Paris, 30 mai (EFE).- A queda de braço entre o governo da França e os sindicatos que se opõem à reforma trabalhista proposta pelo presidente do país, François Hollande, viveu um momento de relaxamento nesta segunda-feira, à espera de uma série de greves no transporte público convocadas para o decorrer da semana.

As negociações entre as partes estão oficialmente congeladas, faltando menos de duas semanas para o início da Eurocopa, que começa no dia 10 de junho, apesar de diversas fontes terem informado sobre conversas no fim de semana para tentar encerrar as manifestações.

O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, conversou por telefone com vários líderes sindicais, entre eles o secretário-geral da Confederação-Geral do Trabalho (CGT), Philippe Martínez, principal comandante dos protestos.

Martínez considerou que a simples existência do contato - o primeiro em dois meses - um avanço, mas se negou a começar qualquer negociação se o projeto de lei da ministra do Trabalho, Myriam El Khomri, não for retirado pelo governo francês.

Hoje, as forças de segurança conseguiram desbloquear alguns dos acessos aos centros de produção de petróleo que tinham sido ocupados, aliviando a pressão sob os postos de combustível, que voltaram a receber o produto. Na semana passada, quase um terço deles chegou a ficar sem gasolina para atender os clientes.

No entanto, as greves seguem no setor petroleiro, com quatro das oito refinarias francesas totalmente paradas e duas funcionando com metade da capacidade. Além disso, os manifestantes prolongaram a paralisação do terminal petrolífero do porto de Le Havre, onde o governo determinou a manutenção de um serviço mínimo.

O terminal, administrado pela Companhia Industrial e Marítima, é uma infraestrutura essencial, pelo qual entra 40% do petróleo bruto importado pela França. Ele abastece três refinarias e, por meio de um oleoduto, fornece querosene para os dois aeroportos de Paris.

Uma nova frente de protestos se abriu hoje após mais de cem trabalhadores municipais terem organizado um piquete que impede o funcionamento da usina de tratamento de resíduos urbanos da região de Paris - a maior da Europa -, em Ivry-sur-Seine.

Baptiste Talbot, responsável para Serviços Públicos na CGT, afirmou que nada entrava ou saía do completo de Ivry-sur-Seine. Por outro lado, o sindicato lançava uma convocação para que os trabalhadores interrompam a coleta e o tratamento do lixo.

A atitude da CGT gerou críticas do sindicato patronal Movimento das Empresas da França (Medef), que, através de seu presidente, Pierre Gattaz, afirmou em entrevista publicada pelo jornal "Le Monde" que as greves não só "ilegais na maior parte do tempo", mas, além disso, "irão criar desemprego".

Gattaz reiterou que o governo não pode ceder e, sobretudo, não deve modificar o artigo mais polêmico da reforma, que dá primazia aos acordos empresariais em detrimento aos convênios coletivos.

Não serão realizadas manifestações nesta semana. Os grupos convocaram um grande protesto para o dia 14 de junho, data em que a proposta chegará ao Senado. Porém, as greves chegarão amanhã à tarde ao sistema ferroviário, paralisação que pode se estender dia a dia.

Na quinta-feira, se somam ao movimento os portos e os transportes metropolitanos de Paris, com uma greve indefinida na qual, como os trens, as reinvindicações específicas às empresas se unem aos protestos contra a reforma trabalhista.

A situação corre o risco de piorar na sexta-feira, com o primeiro dos três dias de greve convocados pelos sindicatos dos controladores aéreos, que pretendem assim aproveitar a conjuntura geral para pressionar na negociação do convênio coletivo da categoria.

A direção-geral da Aviação Civil (DGAC) organizou uma reunião de conciliação amanhã com os controladores, que pedem o fim da política de corte de vagas realizada nos últimos anos. Caso não haja acordo, centenas de voos devem ser canceladas no último fim de semana.

Já os pilotos da Air France afirmaram hoje que são favoráveis ao início de greves de longa duração para corrigir a política de ajustes da direção da companhia aérea para concorrer com as rivais de baixo custo, algo que deve ocorrer antes do fim de junho.

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