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Lew: o excesso de capacidade de produção chinesa é uma "preocupação central"

Pequim, 5 jun (EFE).- O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, advertiu neste domingo sobre o excesso de capacidade de produção industrial da China, que constitui uma "preocupação central" para outros países devido às "distorções" que gera.

O excesso de capacidade industrial chinesa causou "um enorme efeito nos mercados mundiais", especialmente em setores como o do aço e o do alumínio, afirmou Lew em uma conversa com alunos da Universidade Tsinghua, em Pequim.

"Vemos distorções nos mercados mundiais", acrescentou ele, reforçando que a correção deste problema é uma "preocupação central" para a economia global e também para a chinesa, assim como para as relações entre Pequim e Washington.

Nos últimos anos, a China foi alvo de várias medidas e investigações por "dumping" - dos Estados Unidos e a União Europeia (UE), entre outros - por suas exportações de produtos industriais, especialmente produtos siderúrgicos. Lew ressaltou que não é um assunto que preocupe apenas os Estados Unidos, já que há outros países produtores de aço "que colocam as mesmas questões".

Lew está na capital chinesa para participar amanhã e terça-feira junto com o secretário americano de Estado, John Kerry, de uma nova edição do Diálogo Estratégico e Econômico entre ambas as potências.

Ele também enviou ao governo chinês uma clara mensagem a favor da continuidade da reforma da indústria pesada, que afeta principalmente seu hipertrofiado e deficitário setor público.

"O excesso de capacidade é corrosivo para uma economia que procura a eficiência. Não é saudável para uma economia que procura assegurar seu crescimento a médio e longo prazo", ressaltou.

A China anunciou no último ano importantes planos para a reforma de suas empresas públicas e o corte da produção de aço e carvão, embora o processo não satisfaça seus concorrentes.

Lew também pediu que o governo de Pequim para manter a agenda de reformas econômicas como um elemento "importante" para que China possa obter o status de economia de mercado.

Estados Unidos e União Europeia negociam separadamente com a China um acordo de investimentos que permita, entre outros aspectos, a abertura de mais setores da economia chinesa a investimentos e compras por parte de companhias estrangeiras.

Lew afirmou que esta negociação é "um dos principais assuntos" do diálogo entre China e Estados Unidos, já que procura "abrir os mercados à livre concorrência e aos investimentos", e disse que finanças ou saúde são alguns exemplos de setores nos quais poderia haver progressos.

O secretário do Tesouro americano afirmou que acredita em que ambas as partes poderão conseguir avanços nesta negociação durante os últimos meses do governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

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