BID pede que empresários da América Latina tenham mais ambição e visão global

Teresa Bouza.

Stanford (EUA), 22 jun (EFE).- O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) insistiu nesta quarta-feira que a América Latina precisa ser mais inovadora e convidou os empresários da região a serem mais ambiciosos e buscar uma projeção global.

"A inovação é algo que não se faz suficiente na região", afirmou hoje o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, durante uma conferência na Universidade de Stanford patrocinada pela organização que realizou uma ponte entre o Vale do Silício e empreendedores latino-americanos.

Moreno destacou que a região está atrasada em matéria de inovação em todos os indicadores que se pode imaginar, a partir da porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) destinado a pesquisa e desenvolvimento, até o número de pesquisadores por milhões de habitantes e as patentes registradas a cada ano.

"Isso não significa que não está ocorrendo nada. Como verão hoje, temos pessoas com grandes ideias e motivação para implementá-las", disse Moreno.

O presidente do BID insistiu, no entanto, que são necessários mais empreendedores latino-americanos como os que estiveram hoje em Stanford.

Acrescentou, em declarações à Agência Efe, que esses empresários necessitam absorver a "ambição e a visão global" que caracteriza os projetos que nascem no Vale do Silício.

Torsten Kolind, cofundador do YouNoodle, uma plataforma de software para programas de "startups" (empresas emergentes) que colabora com os governos do Chile e Peru, foi um dos conferentes.

Kolind declarou à Efe que o avanço da tecnologia faz com que seja muito mais fácil lançar uma empresa e explicou a grande atividade empresarial que vive atualmente na América Latina.

A lista de conferentes também incluiu empresários como o brasileiro Carlos Pereira, que inspirado por sua filha Clara, de 8 anos (com paralisia cerebral por uma negligência médica durante o parto), criou há quatro anos o aplicativo móvel Livox, que permite pessoas com deficiências motoras, auditivas e visuais expressar suas emoções através da tela do dispositivo.

"Eu percebi que minha filha queria se comunicar e tratei de fazer algo. Certamente que já existiam outros dispositivos no mercado mas não funcionavam e tive que criar uma nova tecnologia para ajudar que ela pudesse se comunicar", explicou à Efe.

O empresário, que atualmente reside em Orlando (EUA), conseguiu recentemente um investimento de US$ 500 mil do Google para impulsionar sua empresa, que já tem 20 mil usuários e está disponível em 25 idiomas.

"Meu sonho é criar uma sociedade mais justa que ajude as pessoas com deficiência ter uma vida digna e evitar que sejam um fardo e consigam ser produtivas na sociedade", afirmou.

A conferência serviu de vitrine para projetos inovadores no campo da educação, satélites espaciais, entre outros.

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