Ampliação do Canal do Panamá elevará a economia, mas de forma lenta

Luis Miguel Blanco.

Panamá, 24 jun (EFE).- Lento, porém certo, será o crecimento da economia panamenha como resultado dos recursos gerados com a exploração do Canal do Panamá ampliado, que já tem confirmada para este período fiscal a passagem de mais de 150 navios Neopanamax.

O administrador da Autoridade do Canal do Panamá (ACP), Jorge Quijano, acredita que ao término do primeiro ano fiscal do novo canal, em 2017, a contribuição adicional supere em US$ 1 bilhão a de 2015, e que em 2016 seja "entre US$ 400 milhões a US$ 450 milhões".

Esse montante equivale a 0,86% do produto interno bruto (PIB) de 2015, de US$ 52,132 bilhões segundo a Controladoria Geral da República.

As projeções dos organismos internacionais de financiamento atribuem ao Panamá um crescimento anual sustentado de 6% nos próximos cinco anos, levando em conta a contribuição do novo canal à economia nacional, apesar do difícil contexto da América Latina.

A expectativa para 2025 é que o rendimento do projeto ao Estado supere os US$ 3 bilhões ao ano, dado que a indústria marítima segue impulsionando a economia de escala, e que da atual frota de neopanamax (de cinco mil para 13 mil contêineres) 98% possa passar a partir da segunda-feira pela rota ampliada.

Pelo menos 154 navios neopanamax já têm reserva para transitar no que resto do ano fiscal de 2016, que termina em 30 de setembro, mas não foi informado quanto dinheiro será gerado por pedágios e serviços relacionados.

A isso será somada a quantia de US$ 600 mil a ser paga pela Cosco Shipping Panama, da barqueira Cosco, que fará o trânsito inaugural no próximo domingo.

Quijano disse à Agência Efe que o aumento das receitas "vai depender muito de quão rápido forem atendidas as demandas".

"É preciso ter a noção de que estamos em um mercado muito volátil e sensível ao preço do petróleo", alertou o engenheiro.

De acordo com Quijano, com um barril a menos de US$ 50, a rota do Panamá, 15 dias mais curta e mais "verde", perde competitividade, à qual se acrescenta a concorrência em pedágios, dado que o Canal de Suez "anunciou um desconto de 65% para uma embarcação que saísse de algum porto da costa leste dos EUA com destino além de Cingapura.

"Ou seja, focado justamente nos nossos clientes", comentou Quijano.

O parlamentar e membro da Junta Direção da ACP, Elías Castillo, alertou que nos cálculos dos juros que se esperam da ampliação é preciso subtrair os US$ 2,3 bilhões que precisam ser pagos a partir da próxima segunda-feira aos organismos financeiros internacionais que cobriram parte do investimento, dívida a ser quitada em oito anos.

A projeção para o canal inclui o aumento de passagens de navios porta-contêineres, de gás liquidificado de petróleo e de gás natural liquidificado, que ocorrerá principalmente entre países desenvolvidos, enquanto a América Latina sai do arrefecimento que enfrenta há dois anos, afetada pela queda das importações chinesas.

O economista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento na América Latina e no Caribe, George Grey, disse que a região "está envolvida no debate da conjuntura macroeconômica e tentando ver os efeitos de curto prazo deste ciclo recessivo na América do Sul", mas que "o que vai emergir no Panamá nos próximos dias é o início de um novo ciclo de integração no comércio latino-americano".

"A pergunta do milhão é que tipo de inserção internacional queremos com o Canal do Panamá, se é que podemos ir combinando o que hoje é exportação de matérias-primas com outros tipos de produtos e serviços, porque nem tudo é físico, há turismo e hotelaria", analisou.

"Os investimentos regionais ajudam como continente e dentro da integração, mas se o Canal do Panamá não for acompanhado de fatores que potencializem a comercialização, a troca de produtos, a abertura de mercados para nossas economias e a produção local, também será muito difícil. O ideal é diminuir a importação e aumentar a exportação", disse a presidente do Parlamento Latino-americano, a equatoriana Gabriela Rivadeneira.

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