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Osborne admite que Reino Unido não poderá alcançar objetivo de superávit

Londres, 1 jul (EFE).- O ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, admitiu nesta sexta-feira que o país não poderá cumprir com seu objetivo de alcançar um superávit para o período 2019/20 devido à incerteza gerada pelo "Brexit".

Em declarações em Manchester (norte da Inglaterra), Osborne disse que "devemos ser realistas na hora de alcançar o superávit", e advertiu que o resultado do referendo europeu pode ter um efeito "negativo" na economia do país.

O ministro, cujo objetivo era alcançar em 2020 um superávit de 0,4%, insistiu na necessidade de reduzir a incerteza depois que os britânicos votaram a favor da saída da União Europeia (UE) no referendo de 23 de junho.

"O resultado do referendo, como era esperado, pode levar a um choque para a economia britânica. A forma como respondemos determinará o impacto nos empregos do povo e no crescimento econômico", afirmou o chamado "chanceler do Exchequer".

Segundo explicou, o Banco da Inglaterra pode ajudar, mas o governo "deve fornecer credibilidade fiscal, portanto vamos continuar sendo duros com o déficit, mas devemos ser realistas na hora de alcançar o superávit para o final desta década".

"Necessitamos reduzir a incerteza atuando o mais rápido possível (ao estabelecer) uma nova relação com a Europa e ser mais competitivos", acrescentou o titular de Economia.

Desde 2010, o governo conservador de David Cameron aplicou um duro programa de austeridade para reduzir o déficit e Osborne tinha marcado como objetivo alcançar um superávit de 0,4% em 2019/20.

Este superávit era um dos mais importantes objetivos do ministro, cujo futuro é também incerto porque não está claro que continue em seu posto, uma vez que ocorra a saída de Cameron antes de outubro após anunciar sua intenção de renunciar pelo "Brexit".

Antes do referendo, o governo tinha estimado que o Produto Interno Bruto (PIB) britânico cresceria neste ano 2%, contra 2,4% previsto em novembro.

Também calculou que em 2017 o PIB crescerá 2,2%, 2,1% em 2018, 2019 e 2020, embora os números devam ser revisados agora.

O voto a favor da saída da UE também teve um impacto na qualificação da dívida do Reino Unido.

A agência Standard & Poor's (S&P) retirou esta semana a nota máxima, de "AAA", e a rebaixou até "AA", com perspectiva negativa, pela incerteza gerada.

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