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Opep prevê para 2017 o fim do excesso de petróleo armazenado nas reservas

Wanda Rudich.

Viena, 12 jul (EFE).- A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) prevê para 2017 um aumento de 1,22% do consumo mundial de petróleo e o fim do excesso da oferta que suscitou há dois anos uma forte queda dos preços do barril.

"As condições do mercado ajudarão a eliminar em todas partes em 2017 o excesso das reservas armazenadas de petróleo", afirmou a Opep em seu relatório mensal sobre o mercado mundial de petróleo publicado nesta terça-feira, o primeiro com estimativas para o próximo ano.

O cartel confirmou que a demanda mundial será este ano de 94,18 milhões de barris diários (mbd), a deixando sem alterações em relação às estimativas de um mês atrás, e prevê que crescerá em 1,15 mbd - ou 1,22% -, até uma média de 95,33 mbd, em 2017.

Para fazer estes cálculos, a Opep reduziu a previsão que tinha feito há um mês sobre o crescimento anual da economia mundial, de 3,1 a 3%, "em consideração dos potenciais impactos econômicos do voto do Reino Unido para deixar a UE (União Europeia)", explicou o documento.

Os analistas da Opep destacaram também que, "junto a outros impactos, a saída do Reino Unido da UE terá potencialmente implicações para as regulações do mercado de matérias-primas, dado o importante papel de Londres como centro financeiro global".

Por enquanto, "o impacto mais imediato" virá do fato de que Londres já "não está em condições de exercer influência nas regulações dos serviços financeiros da UE, incluídos os que se aplicam aos mercados de matérias-primas", detalharam.

O barril usado como referência pela Opep retrocedeu este mês até ser vendido na segunda-feira passada a US$ 42,21, seu valor mais baixo em dois meses, desde os US$ 48,02 alcançados em 9 de junho, preço máximo deste ano.

Os "petropreços" estão ainda muito distantes dos mais de US$ 100 por barril que tiveram de média anual em 2011, 2012, 2013 e na primeira metade de 2014, antes de desaprumar-se devido ao forte crescimento da produção, impulsionado precisamente por essas altas cotações que garantiam um alto rendimento.

A Opep, que optou por aceitar os preços baixos para defender sua participação no mercado, vê agora que esta estratégia está dando resultados já que, enquanto seus membros vieram abrindo as torneiras, a maioria de seus rivais tiveram que reduzir suas extrações.

Assim, com relação ao relatório anterior revisou para baixo, em 140.000 bd, sua estimativa sobre a quantidade de barris que se produzirão fora da Opep este ano, ao cifrá-los agora em 56,03 mbd, o que representa uma redução anual de 0,88 mbd, à qual se somará outra contração, de 0,11 mbd, no ano que vem.

Os baixos preços estão afetando a produção mais cara, como a do petróleo de xisto nos Estados Unidos, onde, segundo a organização, o bombeamento total caiu em abril em 0,22 mbd.

O relatório lembra que o nível dos estoques (reservas armazenadas) comerciais de petróleo nas ricas nações da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) diminuiu em maio em 3,06 mb, até 329 mb, mas segue acima da média dos últimos cinco anos.

O petróleo assim armazenado cobriria as necessidades energéticas desses países durante um período de 65,9 dias, 6,7 a mais que a média do último quinquênio, ressaltou a Opep que espera que continue a tendência de queda destas reservas.

"Como resultado destas previsões iniciais (para 2017), espera-se que a demanda por petróleo dos 14 membros da Opep intermedeie os 33 mbd em 2017, o que representa 1,1 mbd a mais da estimada para este ano", indicou a Opep.

O relatório revela que os sócios aumentaram seu bombeamento em junho até uma média de 32,86 milhões de barris diários, 264.100 bd a mais que em maio.

A alta se deveu ao aumento das extrações de Nigéria, Irã, Arábia Saudita, Líbia e Emirados Árabes Unidos, enquanto Venezuela e Iraque reduziram as suas.

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