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Pokémon Go: um jogo que rompeu a barreira digital e se tornou um fenômeno

Violeta Molina Gallardo.

Madri, 27 jul (EFE).- Uma proposta de jogo externo e social que rompe as barreiras do isolamento digital e permite não perder de vista o mundo real, somada ao apelo de uma franquia de sucesso: essa foi a chave para o "boom" do Pokemón Go.

Algo tão ingênuo como a possibilidade de sair nas ruas para "caçar" pokemóns com um celular, monstros que habitam com sucesso o universo do entretenimento há 20 anos, se transformou em um dos maiores êxitos da indústria dos jogos em todos os tempos.

Não só porque Pokémon Go teve a estreia mais bem-sucedida da história da loja de aplicativos da Apple ou porque duplicou o valor de mercado da Nintendo na Bolsa de Valores, mesmo com a notícia de que a empresa japonesa não é responsável direta pelo jogo.

Mas sim porque os usuários levaram muito a sério a captura dos pokemóns, algo provado pelo registro de situações perigosas, até mesmo mortais, e absurdas envolvendo o jogo.

A novidade Pokémon Go não tem nada a ver com a tecnologia que há por trás do jogo - a realidade aumentada -, mas com uma experiência que se integra no entorno real, com uma camada de simulação que invade a vida cotidiana.

"A próxima grande revolução do mundo dos jogos será criar plataformas que sejam onipresentes, que não dependam unicamente de uma tela, que o jogo inunde de alguma maneira outros âmbitos de nossa vida", explicou à Agência Efe o diretor da empresa Gamelab, Ivan Fernández-Lobo.

O aplicativo Pokémon Go chegou a quase 40 países, gerando uma quantidade incrível de notícias. Nos locais onde ele ainda não foi lançado, a expectativa é grande para a estreia do jogo.

De acordo com Fernández-Lobo, o furor despertado por Pokémon Go responde sua natureza de "gameficação da vida cotidiana", que permite relacionar qualquer acontecimento com os monstros.

"Pode haver pokémons em igrejas, em locais onde morre gente, onde nasce, onde se namora. Isso multiplicou o impacto midiático e fato de o fenômeno crescer muito rapidamente", comentou o especialista.

O diretor de conteúdos da Hipertextual, Javier Lacort, concorda. "O poder de sair caminhando com o jogo muda tudo. É um jogo que te faz andar, ir a lugares concretos da cidade. E você pode fazer isso sozinho ou com seus amigos", avaliou.

O analista acredita também que a "nostalgia" explica em parte o sucesso do jogo. "Quando chegou nos anos 90, Pokémon marcou muito duas gerações. Ao pensar nesse novo fenômeno, o primeiro que me vem na cabeça é a nostalgia e que nunca houve nada de Pokémon para os celulares", afirmou.

Apesar das virtudes do jogo, a interação irresponsável de alguns usuários com o mundo real provocou acidentes, prisões e levou autoridades de diferentes países a pedir cautela aos jogadores.

O alerta fez com que Israel proíba o jogo em suas instalações militares, que a empresa proprietária da usina nuclear de Fukushima, destruída após o terremoto de 2011, peça que os pokémons não sejam colocados neste tipo de instalação, ou que uma ONG da Bósnia implore que não se busquem monstros em campos de minas.

Lacort está convencido que a moda de Pokémon Go será passageira. "Já está se começando a observar uma diminuição de horas de uso e de jogadores ativos a cada dia", declarou.

Ao avaliar a relevância do aplicativo, o diretor da Hipertextual lembra que o jogo é gratuito e que sua capacidade para gerar receitas para as desenvolvedoras é reduzida.

A própria Nintendo - que só tem participações na empresa encarregada pelo desenvolvimento, a Niantic, e na The Pokémon Company - reconheceu que o impacto do aplicativo em seus resultados financeiros será "limitado".

Após o lançamento, as ações da Nintendo chegaram a duplicar de valor, mas nos últimos dias a firma japonesa registrou perdas.

Apesar de tudo, Fernández-Lobo acredita que "jogos de realidade" como Pokémon Go marcarão um novo marco na indústria.

"Exemplifica de forma muito simples, mas muito potente, que queremos experiências que não nos desliguem do entorno. Permite que nos demos conta que no mundo digital temos algo para fazer com que as pessoas que nos rodeiam, sem deixar de olhá-las", ponderou.

O responsável da Gamelab está convencido que o futuro da Nintendo segue neste caminho e terá relação com a diluição das fronteiras entre o mundo físico e digital.

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