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FMI vai fazer auditoria da economia argentina pela primeira vez em 10 anos

Buenos Aires, 16 set (EFE).- Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) iniciará na próxima segunda-feira uma rodada de reuniões na Argentina para revisar suas contas nacionais pela primeira vez desde 2006, quando o governo do falecido ex-presidente Néstor Kirchner decidiu suspender este processo, informaram nesta sexta-feira fontes oficiais.

A missão, que durará até 30 de setembro e será liderada pelo encarregado do FMI para a Argentina, Roberto Cardarelli, acontecerá depois da realizada em junho para revisar "a qualidade" dos dados oficiais sobre o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Produto Interno Bruto (PIB).

Nesta ocasião, o cronograma de atividades começará com um almoço entre o vice-ministro de Fazenda e Finanças Públicas, Pedro Lacoste, e Cardarelli, no qual também participará o diretor-executivo pela Argentina no FMI, Héctor Torres.

A nova visita terá como objetivo realizar uma revisão geral da economia da Argentina, dentro do que se conhece como "artigo IV", que implica a visita de economistas do FMI para recopilar informação e trocar opiniões com funcionários do governo, com integrantes do setor privado, com membros do Congresso e com organizações civis.

Após esta missão, será apresentado um relatório ao Diretório Executivo do FMI para sua discussão, e depois a opinião do órgão será compartilhada com as autoridades do país.

Em sua grande maioria, os países permitem que este documento, que costuma incluir um resumo da situação da economia, com uma enumeração dos riscos e sugestões de políticas, seja publicado.

No entanto, essas recomendações não são vinculativas para o país-membro.

A última vez que aconteceu esta avaliação da economia argentina foi em 2006, já que ela deixou de ser feita posteriormente pelas tensões entre a instituição financeira e os governos de Kirchner e sua esposa Cristina.

Salvo os casos de Venezuela e Somália, não há nenhum outro país que esteja há tanto tempo sem cumprir com este compromisso.

Em 2013 e 2014, o FMI preparou relatórios de avaliação que não foram publicados por pedido expresso do Executivo de Cristina.

No entanto, desde a chegada ao poder de Mauricio Macri, em dezembro do ano passado, a Argentina iniciou um processo de normalização das relações econômicas com os principais órgãos internacionais de revisão e reestruturação do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).

"O artigo IV representa um novo passo para a Argentina em sua reinserção internacional", explicou hoje o Ministério da Fazenda e Finanças Públicas em comunicado.

O ministério explicou que isto faz parte do objetivo de voltar a um Estado de "plena transparência" na função e estatísticas públicas, cumprir com compromissos assinados pelo Estado, e representar os interesses nacionais "em pé de igualdade" com os demais sócios participantes de organizações internacionais.

Cardarelli afirmou em comunicado, após a visita de junho, que a missão "ficou impressionada com o firme compromisso das autoridades para melhorar a qualidade e a transparência dos dados oficiais".

Desde que Macri assumiu a presidência, a Argentina aceitou modificar a metodologia utilizada nas estatísticas oficiais, cuja pouca confiabilidade gerou uma moção de censura por parte do FMI em 2013.

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