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Argentina denunciará mineradora Barrick Gold por vazamento de cianureto

Buenos Aires, 21 set (EFE).- O governo da Argentina anunciou nesta quarta-feira que apresentará amanhã perante a Justiça Federal do província de San Juan uma denúncia contra a mineradora Barrick Gold, depois do segundo vazamento de cianureto em um ano na mina de ouro Veladero, operada pela empresa canadense.

Em uma extensa entrevista coletiva em Buenos Aires, o ministro de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Argentina, Sergio Bergman, afirmou que se constataram "elementos suficientes" para fazer uma denúncia nos termos de uma "presunção de crime".

No último dia 14 de setembro, a Barrick Gold informou que seis dias antes havia ocorrido um vazamento de solução de cianureto na mina, localizada na província de San Juan, apenas um ano após acontecer, em setembro de 2015, um incidente similar no mesmo lugar, que provocou grande polêmica e que a Justiça segue investigando.

Após o segundo vazamento, uma medida cautelar ordenou a paralisação da atividade da mina e o governo nacional enviou uma comissão para realizar um estudo "de campo" com o recolhimento de amostras e a comprovação dos relatórios técnicos e documentação entregue pela empresa.

"(O vazamento) aconteceu no dia 8 e a primeira notificação formal (da empresa) é do dia 12. Só essa janela de imprecisão é suficiente para que denunciemos, e será a Justiça que determinará efetivamente se houve crime, dolo, negligência ou irresponsabilidade", ressaltou hoje Bergman.

Além disso, destacou que o Ministério pede também à Justiça que, de maneira preventiva, faça uma ampliação da interrupção da atividade de exploração mineradora da empresa.

O vazamento de setembro 2015 - causado por um falha no circuito de transporte - custou uma multa para a mineradora canadense de US$ 9,5 milhões e o indiciamento de nove de seus diretores na Argentina.

Naquela ocasião, o vazamento atingiu 1.072 metros cúbicos de solução de cianureto e, segundo o expediente judicial, houve contaminação dos rios Potrerillos, Las Taguas e La Palca, localizados na área próxima à mina de extração de ouro.

Agora, o mais recente incidente, segundo explicou a empresa, foi consequência do "desajuste de um encanamento" - que teria acontecido pelo impacto de um pedaço de gelo - sem que houvesse "contato com nenhum curso de água nem com canais de desvio, de acordo com as investigações preliminares".

Este novo vazamento reavivou os fortes protestos que moradores da cidade de Jáchal - nos arredores de Veladero - realizam desde o incidente de 2015.

Em declarações ao jornal "La Nación", Juan Bautista Ordoñez, a máxima autoridade da Barrick Gold na Argentina, fez um "enorme pedido de desculpas" à comunidade de San Juan e reconheceu que o novo vazamento "não deveria ter ocorrido".

Ordoñez ressaltou que, em relação ao incidente de um ano atrás, o último foi "muito menor", porque no anterior "houve líquido" e no mais recente "o que caiu foi material, rochas impregnadas desse líquido".

No entanto, reconheceu que "sem dúvida é um incidente grave".

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