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Japão começa a estudar entrada de mão de obra estrangeira não qualificada

Tóquio, 27 set (EFE).- Um comitê do governo do Japão começará a estudar a partir desta terça-feira a possibilidade de permitir a entrada no país, onde quase não há residentes estrangeiros, de mão de obra estrangeira não qualificada para fazer frente à rigidez de seu mercado de trabalho.

O sistema que se cogita implementar passaria por abrir a porta a trabalhadores de setores específicos mediante acordos de colaboração econômica com os países de origem, um mecanismo que o Japão empregou para trazer pessoal de enfermaria de países como as Filipinas, segundo antecipou hoje o jornal econômico "Nikkei".

Atualmente a maior parte dos trabalhadores estrangeiros do Japão, país onde menos de 2% da população é imigrante, chegou ao país como mão de obra de alta qualificação ou em programas de formação técnica.

Esta comissão recém recrutada analisará a permissão agora da entrada de trabalhadores de fora do Japão com um sistema de cotas em setores que encaram muita escassez de mão de obra como a construção e a enfermaria, onde se chega a registrar três vezes mais ofertas de trabalho que candidatos.

Também se cogita relaxar as barreiras em outros setores nos quais o mercado de trabalho japonês mostra uma grande rigidez, como o de venda no varejo, o agrícola e o de educação pré-escolar.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, ressaltou na segunda-feira, na abertura da sessão parlamentar, a importância de realizar uma grande reforma do mercado de trabalho para estimular a economia e fazer frente ao crescimento populacional negativo do país.

A população em idade de trabalhar do Japão caiu em 2013 abaixo dos 80 milhões e o número atual ronda os 77 milhões, com perspectivas de que siga diminuindo.

No entanto, muitos analistas acreditam que a ideia de abrir mais as portas à imigração não será facilmente aceita por boa parte da população ou do setor privado em um país tradicionalmente protecionista e draconiano no que se refere a políticas migratórias.

Perante os temores de que a entrada de estrangeiros aumente a criminalidade ou acarrete um rebaixamento dos salários, os analistas preveem que o governo precisará de tempo para convencer à opinião pública se este comitê finalmente apostar em uma maior abertura de fronteiras.

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