O futuro incerto de Tsukiji, o maior mercado de peixes do mundo

Antonio Hermosín.

Tóquio, 8 out (EFE).- A iminente mudança do mercado de Tsukiji em Tóquio, a maior feira de peixes do mundo, está no ar devido à contaminação do subsolo em sua nova sede, após uma série de erros políticos que poderiam ter consequências negativas tanto para o turismo como para os comerciantes.

Milhares de turistas estrangeiros e consumidores locais lotam diariamente as decadentes vielas de Tsukiji, entre peixarias e restaurantes que exibem caixas de mais de 450 espécies autóctones de peixes, mariscos, moluscos e outros produtos frescos e preparados.

Mas o mercado está com seus dias contados em sua localização central entre o bairro de Ginza e a foz do rio Sumida, onde se encontra há oito décadas.

Dentro do processo de renovação que a capital japonesa está vivendo para receber os Jogos Olímpicos de 2020 e em plena explosão do turismo estrangeiro, o governo decidiu transferir o mercado para Toyosu, uma ilha artificial na baía de Tóquio e próxima da Vila Olímpica, onde contará com instalações mais amplas e modernas.

O projeto suscitou a rejeição de muitos turistas, de parte da população local e dos trabalhadores do mercado, uma oposição que cresceu com uma série de complicações e erros de gestão que atrasaram indefinidamente a mudança inicialmente prevista para novembro.

A reprovação pública ficou ainda maior depois que foram detectadas substâncias tóxicas nas águas subterrâneas sob a nova sede, que são procedentes de uma usina de gás que anteriormente estava situada no mesmo terreno, e seu possível impacto sobre a salubridade do mercado.

Tsudoi Fukuhara, proprietária de uma loja de tamagoyaki (omelete japonesa), afirmou à Agência Efe que está "preocupada" com o problema do terreno contaminado, pois são instalações onde serão armazenados alimentos.

A incerteza sobre a mudança pode lhe trazer perdas econômicas, pois ela já pagou pela renovação de seu equipamento, por isso reivindica ao governo de Tóquio "que esclareça a situação o mais rápido possível" e explique se vai compensar os comerciantes.

Pelos mesmos motivos, Masato Miyake, responsável por uma peixaria, considera "impossível" que o mercado possa ficar em Toyosu, e, além disso, destacou a necessidade de "proteger a tradição" que representa o velho Tsukiji.

Tanto sua loja como outras incluídas na área denominada Tsukiji Jogai, a área externa do mercado e que representa aproximadamente um terço do atual Tsukiji, permanecerão onde estão, enquanto o grosso do mercado irá para Toyosu.

A "maldição" da nova sede remonta ao ano de 2008, quando as autoridades de Tóquio encomendaram um estudo do subsolo e obras para sua descontaminação, mas a ineficácia destas medidas fez com que os níveis de arsênico e benzeno ficassem ainda maiores e os custos do projeto de mudança dispararam.

A nova governadora da capital, Yuriko Koike, que chegou ao poder em agosto após situar entre suas prioridades a transparência e a revisão dos custos de todas as obras para os Jogos de 2020, determinou uma investigação cujas conclusões apontam para a responsabilidade de funcionários do alto escalão da administração anterior.

"O governo falhou gravemente na hora de cumprir com suas responsabilidades e de dar explicações aos cidadãos", disse Koike ao apresentar no início deste mês os primeiros resultados da investigação. Além disso, a governadora qualificou a atual situação das instalações de Toyosu como "uma vergonha".

O custo da mudança poderia chegar a 588,4 bilhões de ienes (US$ 5,69 bilhões), um valor 36% maior que o previsto inicialmente, mas também trará ao governo metropolitano receitas numerosas graças à requalificação do terreno, no cobiçado distrito de Chuo-ku.

As novas instalações também receberam críticas por sua distância - ficam cerca de dois quilômetros ao leste do atual Tsukiji, mas conectadas pela linha do metrô - e por seu aspecto exterior asséptico, que se assemelha a um gigantesco hangar ou armazém industrial.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos