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Mães pobres venezuelanas aprendem a costurar e criar empresas próprias

Jessica Querales.

Guarenas (Venezuela), 12 nov (EFE).- Cerca de 60 mulheres em situação de pobreza de uma região precária perto de Caracas aprenderam a costurar e adquiriram os conhecimentos necessários para se tornarem empreendedoras graças a um programa iniciado pela construtora Odebrecht e um órgão oficial venezuelano.

Com a filosofia de ensinar a pescar em vez de dar o peixe, o programa "Costurando Futuro" ajudou a transferir conhecimentos a um grupo de mulheres que moram nas comunidades próximas ao local onde a empresa realiza a construção de um metrô na cidade de Guarenas, a cerca de 30 quilômetros da capital venezuelana.

Uma das beneficiadas pelo projeto é Juanita Torrealba, uma mulher de 41 anos que não tinha nenhum conhecimento de costura e que agora montou uma empresa com outras vizinhas do bairro.

Juanita disse à Agência Efe que tudo o que aprendeu "é lucro", já que antes não sabia como fazer a bainha de uma calça, regular uma camisa ou colocar um zíper.

Antes, ela se limitava a ficar em casa para cuidar dos filhos, levá-los ao colégio e realizar os trabalhos domésticos. Agora, pode usar as habilidades adquiridas para lucrar, muitas vezes sem sair de casa.

"É uma grande ajuda para mim, para minha a família, para a minha comunidade. Aprendi a costurar, a fazer camisas e calças, e vendemos", explicou.

Mas estas humildes mulheres não aprenderam apenas a costurar, ela também receberam cursos de contabilidade, de segurança industrial, valores empresariais e até de alianças com entidades bancárias para poder complementar sua formação e saber como empreender.

De acordo com as condições do programa, a formação que estas mulheres recebem deve estar associada ao projeto de vida de cada uma, a suas competências e a suas metas, para assim poder potencializar e fortalecer suas capacidades particulares.

Para July Arrecheder, de 52 anos, "foram três anos de aprendizagem e de muitas experiências" porque o que sabe hoje é "uma mudança radical" em relação ao que podia fazer um ano atrás, antes de participar do programa.

"Costurando Futuro" busca deixar de ser apenas um projeto para se tornar uma Empresa de Produção Social (EPS) e promover a inclusão ao mercado de trabalho e social da comunidade através do empoderamento das mulheres.

O coordenador do projeto de Responsabilidade Social da Odebrecht, Daniel Nieto, explicou à Efe que primeiro foram avaliadas as capacidades e o contexto da comunidade, além da presença de instituições que pudessem dar formação a estas mulheres.

Foi assim que surgiu uma aliança com o Instituto Nacional de Capacitação e Educação Socialista (INCES) - órgão autônomo venezuelano responsável pelo desenvolvimento de programas para a formação dos cidadãos - para que dividisse a capacitação.

As mulheres escolhidas para participar do programa social deviam preencher certos requisitos: ser mães em condição de pobreza e que, depois de um processo de formação, pudessem gerar renda.

O programa começou com 60 mulheres e três anos após o início do "Costurando Futuro" as aspirações dos integrantes foram materializadas: se transformar em uma EPS e promover a criação de alianças entre pessoas para que desenvolvam um ofício, gerem lucro e se insiram no ciclo produtivo.

A ideia do programa é que as empresas, como a que Juanita e July montaram com sócias, possam se manter de pé sem o apoio dos recursos da construtora ou de qualquer outra organização.

É por isso que durante a última fase do programa as mulheres tiveram que se mobilizar, bater de porta em porta para vender o projeto.

Em novembro de 2015, a empresa delas recebeu a ata constitutiva e foi registrada pelas sócias. Desde então, Yamileth Echenique, outra das participantes do projeto, sonha ter filiais pelo mundo, além de estabelecê-las em seu país.

A empresa de confecção de July, Yamileth, Juanita e outras sócias passa, um ano depois, por algumas dificuldades de financiamento para tornar esse sonho realidade. Mas as mulheres continuam incansáveis e muito orgulhosas da empresa que criaram para seguirem costurando e produzindo.

"Eu me vejo com filiais. Começando em meu país, para depois sair", insiste Yamileth.

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