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BCE adverte sobre perigo de os EUA iniciarem políticas protecionistas

Arantxa Iñiguez.

Frankfurt 14 nov (EFE).- O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vítor Constancio, advertiu o perigo que representa para a economia mundial caso os Estados Unidos decidam aplicar políticas protecionistas, depois que Donald Trump ganhou as eleições presidenciais.

Constancio destacou em uma conferência em Frankfurt os efeitos econômicos negativos que poderiam ter essas políticas protecionistas, que Trump anunciou quando estava em campanha eleitoral, mas ainda não concretizou, tanto para a economia americana como para o resto do mundo.

Por isso, a Europa deve se apoia em políticas que impulsionem a demanda interna e fomentem o crescimento, ou seja, estímulos fiscais e mais reformas em políticas de concorrência.

O BCE irá reavaliar a situação de novo em dezembro e, dependendo do que ocorrer nos mercados até lá, terá algo mais a dizer ou não, segundo seu vice-presidente.

Constancio se mostrou preocupado com a inflação na zona do euro, que ainda está muito longe da meta do BCE, algo abaixo de 2%.

O vice-presidente do BCE enfatizou que gostaria "de ver um ponto de inflexão no núcleo da inflação (que desconta os elementos mais voláteis como energia e alimentos), porque isto seria um bom indicador de que a inflação se beneficia de fatores internos".

É possível que o BCE anuncie em dezembro o prolongamento de seus estímulos monetários para além de março de 2017.

Constancio disse que "a economia mundial enfrenta de novo um grau de incerteza anormal e que as consequências podem não ser imediatas".

"A percepção do mercado de que os EUA estariam embarcando em uma nova fase de política fiscal expansionista elevou o otimismo" com efeitos visíveis nos "mercados financeiros na semana passada", segundo Constancio.

O vice-presidente do BCE afirmou que os mercados consideram que os estímulos fiscais "podem romper a armadilha de liquidez que dificultou o crescimento nas economias avançadas".

Por isso, na semana passada aconteceu um deslocamento de títulos para ações: os preços das ações subiram, enquanto o valor dos títulos no mundo todo caiu cerca de 1 trilhão de euros, segundo Constancio.

Esses movimentos acontecem porque o mercado considera que os estímulos fiscais aumentarão o crescimento e a inflação mais adiante, permitindo uma normalização da política monetária dos EUA com taxas de juros mais elevadas, acrescentou o vice-presidente do BCE.

Antecipando esta evolução, os mercados venderam títulos, o que levou a um aumento das rentabilidades em longo prazo, algo que é bom para a rentabilidade dos bancos e se refletiu no aumento do preço de suas ações na bolsa na semana passada.

Apesar de muitos comentaristas terem afirmado que os últimos eventos geopolíticos terão benefícios econômicos, Constancio adverte que isto será no curto prazo, mas que "os efeitos reais negativos do aumento da incerteza podem vir posteriormente".

O vice-presidente do BCE pediu cautela na hora de tirar conclusões positivas desses movimentos dos mercados porque pode ser que os mesmosm não indiquem necessariamente que a economia mundial acelerará a recuperação com um crescimento maior.

Por enquanto, acrescentou Constancio, esses movimentos dos mercados "indicam um aumento do crescimento econômico nos EUA", mas no contexto de uma política de "primeiro a América".

Por isso, segundo o vice-presidente do BCE, três fatores podem contribuir para diminuir e, inclusive, reverter seus efeitos internacionais.

O primeiro é a possibilidade de um aumento do protecionismo, duro ou suave, que pode reduzir o efeito do aumento do crescimento nos EUA.

Constancio previu que, "no curto prazo", "o crescimento vai aumentar nos EUA, mas não existe certeza de que esse maior crescimento será transferido para o resto do mundo como ocorria antes pelo risco de protecionismo".

O comércio mundial, que já é bastante frágil, pode colapsar e isto pode causar danos em todas as economias abertas que dependem das exportações, segundo o vice-presidente do BCE.

Alguns efeitos negativos já foram vistos em algumas economias emergentes como uma significativa saída de capitais e depreciações das taxas de câmbio, que podem entorpecer o crescimento futuro, lembrou Constancio.

O peso mexicano é a divisa que mais perdeu valor desde que Trump foi eleito presidente dos EUA, mas isso também ocorreu com outras moedas, como o rande sul-africano e a lira turca.

"Medidas protecionistas, particularmente contra as grandes economias emergentes, podem desacelerar ainda mais o crescimento econômico mundial e criar instabilidade nos mercados de divisas", opinou Constancio.

O terceiro fator de preocupação se refere à Europa, que se beneficiou do contágio positivo num primeiro momento com incrementos nos preços das ações dos bancos, mas que já apresentaram queda na sexta-feira.

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