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Peru sedia Cúpula Apec para impulsionar livre-comércio e imagem de emergente

Álvaro Mellizo.

Lima, 15 nov (EFE).- O Peru sedia com grande expectativa a Cúpula de líderes do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), encontro que organiza pela segunda vez e disposto a consolidar a imagem de país emergente, aberto ao comércio e ao desenvolvimento econômico.

O fórum, que contará com a presença dos líderes das 21 economias que o compõem e que reúnem 54% do PIB global, 50,3% das exportações e um mercado de 2,85 bilhões de habitantes, significa para o Peru uma vitrine para se mostrar como o novo aluno da escola do livre mercado e da conexão com os mercados globais.

Assim como em 2008, as autoridades peruanas não pouparam esforços para fazer com que a reunião, que recebeu líderes como Barack Obama, Vladimir Putin e Xi Jingping, seja um sucesso. Este impulso, que o presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, herdou com entusiasmo do antecessor, Ollanta Humala, conta com um amplo apoio de toda a classe política do país.

Além dos objetivos de divulgar imagem e ganhar estatura política global, o país vê nesta reunião uma oportunidade para reafirmar sua posição entre os paladinos do livre-comércio, esbanjando uma confiança muito maior que a de gigantes como China ou EUA e disposto a aproveitar cada ocasião para impulsionar essas políticas.

"O Peru é um magnífico 'showroom' para mostrar por que é o bom o resultado da Apec. O benefício para nós será mostrar o que fizemos nos últimos 25 anos. Morremos de vontade de expor como funcionou para nós", resumiu em um encontro com a imprensa Alfonso Bustamante, principal responsável pela reunião de grandes empresários da Apec paralela à reunião de líderes.

Particularmente, o Peru espera impulsionar durante a reunião da Apec o Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP), de modo a construir um acordo de livre-comércio entre todos os países do fórum e que parece ameaçado após a vitória de Donald Trump nas eleições americanas.

"Na Apec há o objetivo principal de se conseguir uma área de livre-comércio, e o TPP é um alicerce, do qual o Peru é parte e que é o acordo comercial mais importante do mundo", considerou Jessica Luna, a gerente geral da Comexperú, a sociedade de fomento do comércio exterior peruana e uma das organizadoras da reunião.

A Aliança do Pacífico, o bloco formado por Chile, Peru, Colômbia e México, também constitui para Lima outro dos "alicerces" desse objetivo a serem potencializados durante a reunião. Todos os presidentes da associação marcarão presença, inclusive Juan Manuel Santos, embora a Colômbia não faça parte da Apec.

Além dessas grandes metas políticas, para o Peru, a Apec também é uma forma de melhorar sua parcela de mercado dentro do bloco, que hoje mal chega a 0,5% das exportações de bens e a 0,3% de serviços.

"Em termos de comércio, para o Peru foi importante a troca comercial da Apec, que cresceu desde nossa entrada a uma taxa anual de 12%. O Peru foi um dos grandes beneficiados por pertencer à Apec, está entre os mais bem-sucedidos e entre os que tiveram mais vantagens. E há possibilidades de aumentar estes benefícios", reconheceu Luna.

Segundo dados divulgados pela organização da reunião, entre 2009 e 2015, o Peru exportou e importou 65% mais dos países da Apec, uma relação comercial que no ano passado chegou a US$ 44,6 bilhões. Em 2014, 58,7% das exportações peruanas foram para países da Apec, dos quais comprou 59,8% de suas importações.

"A Apec é sem dúvida o campo onde se deve jogar, o clube ao qual é preciso pertencer. São economias com políticas similares de integração, que buscam gerar mais oportunidades para a população no final do dia", disse Luna.

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