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OCDE confia em estímulo fiscal combinado para acelerar crescimento

Ángel Calvo.

Paris, 28 nov (EFE).- A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) aproveitou as melhores expectativas na economia global para os dois próximos anos, impulsionadas pelo plano fiscal de Donald Trump, para reivindicar uma ação combinada de estímulo de Estados Unidos, Europa e China para tirar o mundo da "armadilha" do baixo crescimento com a qual convive desde a crise.

A intenção é aproveitar a "janela de oportunidade" aberta pelas taxas de juros historicamente baixas, que oferecem margem para ativar um estímulo fiscal, destacou nesta segunda-feira o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría.

Em seu novo relatório de perspectivas, a OCDE conta com essa política expansionista para elevar a progressão do Produto Interno Bruto (PIB) mundial de 2,9% esperada para 2016 (mesmo número que foi antecipado em setembro) para 3,3% em 2017 (um décimo acima) e de 3,6% em 2018.

A economista-chefe da OCDE, Catherine Mann, advertiu que sem esse impulso fiscal a ascensão do PIB global ficaria em torno dos 3% nos próximos dois anos, e afirmou que com uma ação combinada e contínua dos três grandes blocos econômicos seria possível voltar à faixa de 4%, como antes da crise.

Gurría reconheceu que as expectativas geradas nos mercados pelo programa econômico de Donald Trump - com um pacote fiscal em massa para investimentos em infraestruturas e redução de impostos - prenunciam uma aceleração da atividade, e declarou que coincidem com os conselhos que a própria OCDE vem dando há dois anos.

No entanto, tanto ele como Catherine alertaram sobre os efeitos de outra das promessas do próximo presidente americano, as medidas protecionistas no comércio.

A esse respeito, os membros da OCDE ressaltaram que o avanço do comércio mundial neste ano será inferior ao do PIB, uma situação que só ocorreu três vezes nas três últimas décadas e que tem relação com o aumento do número de barreiras ao comércio internacional: de menos de 100 nos países do G20 em 2008 para 1,2 mil no primeiro semestre de 2016.

De acordo com os cálculos da organização, facilitar o comércio a médio prazo representaria 1,5 ponto de PIB suplementar no mundo em comparação ao cenário de referência sem mudanças, enquanto impor restrições levaria a uma redução de 1,5 ponto.

Além desta hipótese, a OCDE revisou para cima os cálculos sobre a economia dos Estados Unidos, que crescerá neste ano 1,5% (um décimo acima do calculado em setembro), 2,3% em 2017 (dois décimos acima) e 3% em 2018.

Na zona do euro, a ascensão do PIB será de 1,7% em 2016, dois décimos acima do projetado há dois meses, sobretudo pela revisão para a Espanha (quatro décimos suplementares, até 3,2%), já que os números são piores para Alemanha (1,7%) e França (1,2%), ambas com um décimo abaixo, e sem mudanças para a Itália (0,8%).

Sobre o Reino Unido, a OCDE mostrou uma percepção menos negativa do que a de dois meses atrás, já que elevou em dois décimos os cálculos para 2016 (2%) e para 2017 (1,2%).

Contudo, a organização persistiu em seu diagnóstico que as perspectivas são "consideravelmente mais frágeis" se comparadas aos números de antes de os britânicos votarem em junho pela saída da UE, e isso pesará principalmente a longo prazo. Para 2018, a alta do PIB se limita a 1%, o índice mais baixo dos países do G7, ao lado da Itália.

A OCDE antecipou para a China um crescimento não tão exuberante como nos anos anteriores, mas sem quedas abruptas. Após os 6,9% de 2015, 6,7% em 2016 (dois décimos acima da projeção de setembro), 6,4% em 2017 (outra alta de dois décimos) e 6,1% em 2018.

Quanto ao Brasil - outro dos grandes países emergentes que não pertencem à organização - a OCDE acredita que neste ano a recessão será maior do que a calculada em setembro (-3,4%, um décimo pior), mas que já há sinais de uma recuperação, lenta e progressiva. Isso quer dizer que o PIB brasileiro não cairá, como se temia há dois meses, mas que ficará estagnado.

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