Arroz "milagroso" combateu parte da fome na Ásia

Belém Delgado.

Los Baños (Filipinas), 1 dez (EFE).- Há 50 anos foi lançado nas Filipinas uma variedade de arroz de alto rendimento que ajudou a matar a fome e tirar da linha de pobreza milhões de pessoas na Ásia dentro da chamada "Revolução Verde".

Na sede do Instituto Internacional de Investigação do Arroz (IRRI), o cientista Peter Jennings, que liderou a equipe que desenvolveu o IR8, lembra disso como um "tsunami".

"Avançamos uns 400 anos substituindo um arroz por outro. Não conheço nada parecido na produção de cultivos", disse Jennings.

Em sua opinião, ninguém tinha entendido, até então, como um "simples controle genético" podia conseguir o tamanho de uma variedade. E isso foi quase por acaso.

Jennings estava caminhando em um sítio com plantas derivadas de cruzamentos realizados entre variedades de arroz de Taiwan, China e Indonésia quando observou que havia um único gene que determinava a estatura baixa. A equipe do IRRI continuou selecionando as variedades mais promissoras, entre elas uma designada IR8, e as testaram em vários países.

Essa foi a que teve melhor resultado e seu potencial de rendimento foi provado em 1966 quando rendeu 9,4 toneladas de arroz por hectare, frente a 1 tonelada que costumava obter nas Filipinas.

O diretor do centro de pesquisa, Matthew Morell, explicou à Efe que por ser um tipo pequeno "grande parte da energia para a fotossíntese para produzir açúcar ia ao grão em vez de ir mais as folhas". Um aumento energético que também foi notado ao aplicar adubo na planta pequena, já que o rendimento era "muito maior" e o uso desses químicos "mais eficiente".

Foi então que as sementes se multiplicaram e vários quilos de IR8 foram distribuídos entre os agricultores filipinos.

A variedade, logo batizada como o "arroz do milagre" pela imprensa local, foi introduzida com diferentes nomes em outros países. No Vietnã os agricultores a chamaram de "Honda" porque permitiu a um deles comprar um motocicleta da marca. Na Índia entrou no mercado ao mesmo tempo em que se promovia a variedade "Jaya", também de alto rendimento, em uma época em que o continente asiático vivia ameaçado pela crise de fome.

Com a informação disponível, os pesquisadores aprenderam a aprimorar as variedades com mais facilidade.

"A genética passou a ser utilizada no mundo todo e se incorporou a programas de melhoramento de plantas, o que deixou efeitos que duraram nos últimos 50 anos", disse Morell.

O IR8 foi uma das inovações tecnológicas com as quais muitos agricultores asiáticos puderam ganhar em produtividade e aumentar a renda durante a "Revolução Verde" das décadas de 60 e 70, que em outros lugares, como a África, quase não teve impacto. No entanto, essa variedade não resistia a determinadas pestes e nem seu aspecto esbranquiçado convencia os consumidores, que preferiam outras. Além retocar esse defeito, os cientistas estão centrados atualmente em todo o relacionado ao estresse das plantas, seja em forma de seca, excesso de água ou salinidade, o que combinam com a luta contra bactérias, fungos e demais ameaças.

Já para o cientista do IRRI Abdelbagi Ismail o banco de genes de arroz e os marcadores moleculares, que permitem por exemplo rastrear segmentos do DNA das plantas, estão abrindo novas oportunidades de pesquisa. Avanços que, segundo ele, podem ajudar os agricultores pobres que com pouca opção para se alimentar e que dependem do arroz, grão básico para mais de 3,5 bilhões de pessoas no mundo.

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