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Assessor de Trump garante que EUA não querem uma guerra comercial

Davos (Suíça), 17 jan (EFE).- Um assessor do gabinete do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu nesta terça-feira que o futuro governo não quer uma guerra comercial, mas sim fazer acordos comerciais mais simétricos em benefício dos trabalhadores americanos, e que a China deve levar este desejo em conta.

"EUA e China têm uma causa comum. Temos relações muito fortes e também considero que os EUA e a nova administração não querem uma guerra comercial", comentou Anthony Scaramucci, integrante da equipe de transição de Trump, durante um debate do Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, na Suíça.

O futuro assistente e diretor do escritório de Relações Públicas de Trump, que assumirá o cargo a partir da próxima sexta-feira, fez essas declarações depois que o líder chinês, Xi Jinping, afirmou em seu discurso de inauguração do fórum que "ninguém sairá ganhador de uma guerra comercial" e defendeu a abertura frente ao protecionismo proposto pelo presidente eleito.

"O que gostaríamos é de um processo comercial livre e justo, porque voltamos a 1945, o presidente Harry Truman tomou a decisão estratégica de adotar o Plano Marshall, pelo qual foram gastos US$ 13,6 bilhões no exterior em infraestrutura, e de fazer com que cada tratado comercial elaborado desde então tivesse acordos assimétricos para os EUA", afirmou Scaramucci.

"Permitimos que os bens e serviços chegassem livremente aos EUA, mas também permitimos que nossos bens e serviços ficassem embargados em outros países ao tentar ajudá-los a melhorar seus padrões de vida e trabalhistas e a criar mais prosperidade em suas classes médias", explicou o assessor do magnata.

Esse processo funcionou de maneira "fenomenal" durante os últimos 71 anos, acrescentou Scaramucci, e a interdependência econômica que criou "levou a menos conflitos globais", frisou.

Agora, após 71 anos, "tudo o que os EUA querem é mais simetria nestes acordos comerciais", disse o assessor do futuro presidente, para melhorar a situação dos industriais e da classe média e trabalhadora do país, que acabaram "prejudicadas" com essa política.

"Nos últimos dez anos, mais 8 milhões de americanos passaram a pertencer (...) aos trabalhadores pobres", comentou Scaramucci.

"Temos que criar políticas para mudar isto" e se a China realmente acredita na globalização, "deve se aproximar agora" dos EUA e "permitir essa simetria" no aspecto comercial, frisou o assessor de Trump.

O presidente eleito prometeu retirar os EUA do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês), que o país mantém com México e Canadá, e rejeitou o Acordo de Associação Transpacífico (TPP, sigla em inglês).

Scaramucci ressaltou que "metade da globalização é apresentada por trabalhadores e pela classe média americana", e explicou que, se Washington conseguir criar mais poder aquisitivo e maior consumo por ali, haverá "mais comércio, paz e prosperidade global".

"No final do dia, de forma paradoxal, o presidente Trump talvez seja a última grande esperança para a globalização, porque se concentrará em solucionar algo internamente nos EUA a fim de criar um mercado mais pujante", opinou o assessor.

Scaramucci também previu um discurso de posse "histórico" de Trump na próxima sexta-feira, um pronunciamento que será muito ao estilo de Ronald Reagan, e lembrou o famoso discurso do então presidente dos Estados Unidos em 1981, quando "muitos na comunidade europeia e global estavam preocupados" com ele.

"Depois, se deram conta de que era um homem de paz, de compaixão, que fazia o que disse que ia fazer e executou uma agenda que levou a um mundo mais pacífico, e prevejo que ocorrerá o mesmo com o presidente Trump", opinou Scaramucci.

Quanto às declarações de Trump sobre o caráter "obsoleto" da Otan, seu assessor defendeu que o presidente eleito não quer desmantelar a Aliança, mas apontar para coisas que podem melhorar.

"O que (Trump) diz é que em 2017 talvez deveríamos nos estabilizar menos na luta contra o comunismo e mais em fazer frente ao radicalismo islâmico", afirmou Scaramucci.

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