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Palestinos se unem por seus direitos digitais

Laura Fernández Palomo.

Ramala, 23 jan (EFE).- Os palestinos se sentem ameaçados em sua liberdade de expressão através das redes sociais, após um ano no qual aumentaram as detenções tanto por parte de Israel como pela Autoridade Nacional Palestina (ANP) e Hamas, no primeiro caso por suposta instigação e no segundo por criticar o governo.

Anas Abu Daabes terminou em uma prisão israelense no mês de novembro do ano passado por publicar um texto no Facebook de caráter satírico, durante a onda de incêndios que assolou o norte e o centro de Israel e que foi atribuída pelo Executivo a piromaníacos palestinos.

"Consideraram que estava incitando a provocar mais incêndios. Passei quatro dias na prisão e cinco em prisão domiciliar", contou à Agência Efe este conhecido jornalista de Neguev, ao sul de Israel, sobre um caso que teve repercussão na imprensa israelense porque a Polícia havia interpretado errado o comentário.

O aumento destes casos levou uma ONG local, a 7amleh, a criar uma coalizão internacional - formada por 15 organizações - para garantir a proteção digital dos palestinos em Israel, Faixa de Gaza e Cisjordânia, que passa também por aprender a conduzir o discurso.

"É importante que os jovens aprendam a se comunicar nas redes sociais porque muitas de suas manifestações são políticas e estão sendo detidos por elas", assegurou Najwan Berekdar, defensora palestina de direitos humanos da cidade israelense de Nazaré.

Berekdar acredita que os palestinos não estão alheios aos riscos que a liberdade de expressão enfrenta no mundo, em um momento no qual se debatem leis para regular o conteúdo, perante o aumento do discurso do ódio na internet.

"Mas nós enfrentamos isso em um contexto muito concreto, onde já temos muitas restrições perante as opiniões que são expressadas", declarou e apontou tanto Israel como os governos de Hamas e ANP, que censuram as críticas contra os líderes palestinos.

Desde o final de 2015, com o início da onda de violência, 200 palestinos foram processados em tribunais israelenses por suposta "incitação", segundo a organização 7amleh, que recentemente organizou o primeiro Fórum de Ativismo Digital Palestino na cidade cisjordaniana de Ramala.

"Cerca de 25% das contas palestinas foram hackeadas e 19% dos usuários de redes sociais interceptados pelas autoridades", assegurou Nadim Nashif, diretor da 7amleh, com sede na cidade israelense de Haifa.

Neste sentido, Abu Daabes denunciou que as acusações costumam recair nos palestinos e que durante o período de sua detenção não se deteve nem interrogou israelenses que também divulgaram comentários hostis: "E não eram satíricos. Eles pediam diretamente para se queimar vilas árabes", afirmou.

A internet como plataforma desta tensão viveu seu ponto alto no semestre passado por causa dos comentários surgidos nas redes sociais após o assassinato da menor israelense Halel Yafa Ariel, apunhalada por um jovem palestino em sua casa no assentamento judaico de Kiryat Arba, perto da cidade cisjordaniana de Hebron.

O Gabinete de Segurança israelense anunciou o bloqueio de internet e tecnologia 3G na região de Hebron para conter o que qualificou de "terrorismo virtual", e o ministro da Segurança Pública, Gilad Erdan, disse que Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, tinha "um pouco de sangue não mãos" por essa morte.

Por causa deste fato, Erdan e a titular israelense de Justiça, Ayelet Shaked, apresentaram um projeto de lei, aprovado este mês de janeiro pelo Parlamento israelense (Knesset) em primeira leitura, que permitirá solicitar às companhias a eliminação de conteúdos considerados "instigadores".

Lei que para Nashif complicará ainda mais o panorama digital para os palestinos, que se soma à intimidação que sofrem por parte da ANP, na Cisjordânia, e do Hamas, em Gaza, e que segundo a Human Rights Watch e o Centro Palestino pelos Direitos Humanos não deixa de aumentar desde 2015.

"Por isso é importante que os palestinos se unam para garantir seus direitos digitais, quando a sociedade cada vez utiliza mais estas ferramentas para se comunicar", explicou à Efe.

Nashif afirmou que os governos palestinos não costumam abrir processos, mas as detenções e o assédio persuadem os usuários de manifestar livremente suas opiniões.

"Nesta era, os direitos digitais, incluindo o direito à privacidade, o direito à proteção da informação pessoal e o direito a navegar por uma internet segura, se transformaram em um grande problema de direitos humanos", alertou Emanar Makhoul, da 7amleh durante uma das sessões do fórum que tenta promover garantias digitais entre a população palestina.

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