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Vinícius Sassine celebra Prêmio Rei da Espanha por matéria que salvou vidas

Rio de Janeiro, 24 jan (EFE).- Vencedor do Prêmio Rei da Espanha de Jornalismo na categoria Imprensa com uma série de reportagens que revelou como as repetidas recusas da Força Aérea Brasileira (FAB) impediam o transporte de órgãos no país, o repórter Vinícius Sassine, do jornal "O Globo", comemorou a conquista nesta terça-feira e ressaltou a satisfação por ter realizado um trabalho que foi capaz de salvar vidas.

Em entrevista à Agência Efe, que convoca anualmente o prêmio com a Agência Espanhola de Cooperação Internacional, Sassine, que por coincidência está na Espanha para fazer um curso, revelou que não esperava ser agraciado e destacou a importância de ser reconhecido em um dos principais prêmios internacionais de jornalismo.

"Recebi a notícia por uma mensagem de sites de comunicação do Brasil. Fiquei muito feliz e ainda estou sem acreditar. É um dos principais prêmios internacionais. Para ser sincero, eu não esperava tanto", disse o repórter brasileiro à Efe.

Mais do que a felicidade pelo trabalho bem feito e pela conquista, Sassine demonstrou satisfação por suas matérias terem salvado vidas. O brasileiro foi premiado pela série especial "Saúde em Segundo Plano", publicada pelo "O Globo" em junho de 2015, que revelou que a FAB recusou transportar 153 órgãos para transplante entre 2013 e 2015. No mesmo período, porém, foram atendidos 716 pedidos de viagem de ministros e dos presidentes do Senado, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal (STF).

No dia seguinte à publicação da primeira matéria, em 5 de junho do mesmo ano, o então presidente interino do país, Michel Temer, convocou uma entrevista coletiva para anunciar um decreto que mudava a situação e determinava que ao menos um avião da FAB deveria ficar exclusivamente à disposição para transportar órgãos. Desde a edição do decreto, segundo Sassine, mais de 150 pessoas receberam transplantes graças ao serviço agora prestado pela Aeronáutica.

"Essa é a principal conquista: salvar vidas. Contamos a história de pacientes que morreram na fila por não conseguir o transplante após recusas da FAB. A matéria mudou o arcabouço legal sobre esse transporte. Antes, não havia obrigação em levar esses órgãos. Eles diziam que faziam isso por razões humanitárias", explicou.

A ideia de matéria surgiu exatamente de um caso trágico. Sassine soube da história de Gabriel Langkamer, de apenas 12 anos, internado em uma UTI em Brasília. O menino precisava de um coração saudável, e o órgão surgiu em Pouso Alegre, em Minas Gerais. A FAB se recusou a buscá-lo, e Gabriel morreu 14 dias depois.

"Publicamos essa história e causou uma grande comoção. Conseguimos confirmar todas as informações e isso é algo difícil porque tudo é sigiloso: os procedimentos médicos, os dados da central de transplantes. Na apuração, comecei a ouvir que esse não era um caso isolado. Conversei com meu editor e disse que tínhamos a obrigação de levantar essa história", contou o repórter.

O trabalho para a série de reportagens durou quase seis meses. Sassine recorreu à Lei de Acesso à Informação e cruzou os dados sobre as recusas da FAB com as viagens feitas pelas autoridades em aeronaves da Aeronáutica. "As recusas eram muito maiores. A cada dez órgãos, sete eram recusados", explicou o repórter de "O Globo".

Natural de Rubiataba, no interior de Goiás, Sassine se mudou para a capital do estado quando tinha 15 anos. Mais tarde, foi aprovado no curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás. A carreira de repórter começou no jornal "O Popular", de Goiânia, onde permaneceu por seis anos. Antes de chegar à sucursal de "O Globo" em Brasília, em 2012, Sassine passou pela redação do "Correio Brasiliense", jornal no qual ficou entre 2010 e 2012.

"Está cada vez mais difícil fazer uma reportagem de fôlego, que necessita tempo e investimento, mas essa série mostra que o jornalismo está vivo, que tem força e é decisivo em um ambiente democrático. Especialmente nesse momento de crise, de baixos investimentos públicos, o jornalismo pode entrar como uma força para que as coisas funcionem, para fazer denúncias e para provar que resultados práticos podem ser obtidos", concluiu Sassine.

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