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Economias de cidades fronteiriças sofrem com expectativa por medidas de Trump

Alex Segura Lozano.

McAllen (EUA), 28 jan (EFE).- As cidades da fronteira sul dos Estados Unidos, dependentes em grande medida das compras de seus vizinhos mexicanos, vivem a expectativa pelas decisões em matéria comercial que serão aplicadas pelo presidente Donald Trump no que diz respeito à relação com o México.

"Estamos na expectativa do que pode ocorrer nos termos do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (NAFTA)", afirmou o vice-presidente da Câmara de Comércio da cidade fronteiriça de McAllen (Texas), Luís Cantú, que lembrou que este é um acordo que ajuda a promover os negócios entre todas as partes de um modo "mais acelerado e justo".

Nesta mesma semana, Trump anunciou uma série de medidas para combater a imigração clandestina do México e que em breve começará a renegociar com os líderes desse país e do Canadá o NAFTA, assinado pelos três sócios em 1992.

Seu porta-voz, Sean Spicer, assegurou na quinta-feira que o governante estuda a possibilidade de impor tarifas de até 20% sobre os produtos mexicanos para compensar o déficit de US$ 60 bilhões anuais na troca dos EUA com o México, o que poderia gerar uma guerra comercial.

O objetivo dessas tarifas, que transgrediriam os compromissos estabelecidos no NAFTA, seria também custear a construção do muro fronteiriço prometido por Trump, cujo custo está calculado entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões e que o magnata insiste em que deve ser pago, de um jeito ou de outro, pelo México.

A renegociação do NAFTA foi outra das promessas do magnata nova-iorquino durante a campanha eleitoral, que considera "injusta" a relação comercial com o México devido a dito déficit.

Durante a campanha, Trump também se prodigalizou em ataques aos imigrantes mexicanos, sobre os quais chegou a dizer que são narcotraficantes e estupradores.

Para Cantù, estes tipos de ações e comentários contradizem o trabalho diário de seu departamento com os vizinhos mexicanos, que se baseia em forjar uma relação de confiança com as populações do outro lado do limite para que ambas partes saiam beneficiadas.

"As comunidades de ambos lados da fronteira fomos cidades irmãs em termos econômicos, mas também em cultura e educação, durante os últimos 70 anos", ressaltou o economista.

Concretamente, e segundo dados da própria Câmara de Comércio, mais de 30% das vendas totais dos pequenos comércios da texana McAllen são realizadas a clientes mexicanos, que viajam à cidade americana de maneira assídua para realizar todo tipo de compras.

O turismo comercial, como define Cantù, é um dos principais motores da economia da maioria das cidades do Vale do Rio Grande, situado na fronteira com o México.

No entanto, a desvalorização do peso mexicano em relação ao dólar, impulsionada especialmente pela eleição de Trump, assim como seus contínuos ataques à sociedade mexicana, já estão tendo consequências na situação econômica de McAllen.

Isto é o que lamenta Felipe Almagro, proprietário de uma das lojas da cidade, que aponta que, em seu caso, mais de 50% de seu faturamento depende das mulheres mexicanas que compram ou alugam vestidos de festa em seu estabelecimento.

Depois do triunfo eleitoral de Trump, o dólar chegou a superar a temida barreira dos 20 pesos e se mantém agora acima dos 21 pesos, frente aos 18,42 em que se encontrava antes das eleições americanas.

Almagro relatou que, desde a eleição de Trump como presidente, os vizinhos mexicanos foram diminuindo suas viagens para McAllen e disse que isto poderia ocasionar o fechamento da "maioria" das lojas da cidade.

Neste sentido, Cantú lembrou a importância de poder contar com um país vizinho que seja um aliado e que tenha estabilidade econômica, razão pela qual se mostra mais partidário da filosofia de "pontes abertas" e não da de "muros que nos dividem".

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