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Saída da GM da Europa coincide com chegada ao poder de Donald Trump

Washington, 12 mar (EFE).- A saída da General Motors (GM) da Europa com a venda de sua filial Opel/Vauxhall ocorre em um momento no qual o governo do presidente Donald Trump critica os acordos de livre-comércio e fomenta medidas protecionistas.

A venda da Opel/Vauxhall foi confirmada poucas semanas depois da entrada na Casa Branca de Trump, o que para alguns não se trata de nenhuma coincidência.

Não em vão, a venda de sua filial europeia já foi considerada seriamente em 2009, quando a General Motors se declarou em moratória, como forma de evitar o desaparecimento da empresa no meio da grande crise financeira que castigou os Estados Unidos.

Para ressuscitar, e receber dezenas de bilhões de dólares de ajudas públicas, a GM se desprendeu de quatro marcas (Pontiac, Saturn, Hummer e Saab). Mas decidiu manter a Opel/Vauxhall.

Apesar de a Opel não reportar lucros para a GM desde o ano 2000, a montadora americana manteve a companhia alemã e sua irmã britânica, a Vauxhall, até agora.

A razão oficial para que a GM tenha decidido aceitar a oferta do PSA pela Opel/Vauxhall foi explicada durante a conferência telefônica que os diretores da General Motors tiveram com analistas financeiros no mesmo dia em que se anunciou o acordo com o grupo francês.

Mary Barra, a diretora-executiva da GM, e Dan Ammann, o presidente do Conselho de Administração da empresa, repetiram que era o momento "adequado" para a venda porque não consideram que o mercado europeu, o maior do mundo, seja suficientemente atrativo.

Os diretores da GM explicaram que, por exemplo, o "Brexit" (o voto britânico a favor da saída da União Europeia) fez com que a Opel/Vauxhall perdesse centenas de milhões de dólares em 2016, ao invés de ganhar dinheiro como estava previsto.

Além disso, acrescentaram de forma críptica que preveem que outros "eventos geopolíticos seguirão impactando o comércio na região". Os diretores da GM, no entanto, não ofereceram mais detalhes sobre o que veem no futuro da Europa.

Porém, a destacada presença de Barra no Fórum de Estratégia e Política de Trump, o grupo de 19 líderes econômicos americanos que assessora o presidente em temas da área, não é considerada um acidente entre os analistas.

O outro aspecto da venda da Opel que também não escapou dos analistas, e que a própria GM destacou, é que a venda proporciona à montadora de forma instantânea uma liquidez de US$ 2 bilhões, ao reduzir suas necessidades de balanço de caixa.

Menos necessidades de dinheiro vivo oferecem à GM mais liberdade no caso de hipotéticas dificuldades no futuro.

No domingo passado, o presidente do fórum, Stephen Schwarzman, o poderoso investidor que controla o Blackston Group, um dos maiores fundos de investimentos do mundo, declarou à emissora "CNN" que Trump criou esse grupo para que lhe digam "o que está acontecendo no mundo".

A comunicação não é unidirecional. Os 19 integrantes do fórum, do qual também faz parte o criador da Tesla, Elon Musk, têm um acesso privilegiado ao presidente e a suas ideias de governo.

Por isso não passou despercebido que a decisão da GM de se afastar da Europa coincida com a chegada à Casa Branca de um presidente que está disposto a retirar os Estados Unidos de muitos fóruns internacionais.

Como recentemente afirmou um veterano comentarista do setor do automóveis no jornal "Automotive News", "hoje a GM está tentado resolver seus problemas, e melhorar seus resultados, se desvinculando lentamente do mundo", uma frase que para muitos resume à perfeição a essência das políticas de Donald Trump.

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