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UE vê euro como modelo de sucesso para Europa

Laura Pérez-Cejuela.

Bruxelas, 23 mar (EFE).- A União Europeia (UE) lembra neste sábado em Roma seus 60 anos de história com uma reunião de revisão do passado e reflexão sobre o futuro na qual o euro será apresentado como sucesso comunitário e exemplo das vantagens de uma Europa que permite a seus países avançar em diferentes velocidades.

Na cúpula de Roma, que reunirá os 27 países que seguirão a bordo uma vez se a saída do Reino Unido for consumida, os líderes europeus adotarão uma declaração na qual serão destacados as conquistas, os desafios e as linhas de ação futuras da UE, e será defendido um avanço em unidade ou em diferentes ritmos quando for necessário, sempre no marco do Tratado. Neste documento, com alto valor simbólico, ficará refletido que a moeda única é uma conquista e será expressada a vontade de continuar reforçando a União Econômica e Monetária, da qual fazem parte 19 países, conforme o documento respaldado pelos negociadores da UE.

São várias as vantagens atribuídas ao euro 25 anos após o seu nascimento com o Tratado de Maastricht: a estabilidade da moeda, o controle da inflação e o fato de ter facilitado as trocas comerciais, entre outras. Do outro lado da balança, a política monetária do Banco Central Europeu não funciona igual para os 19 membros, já que persistem os desequilíbrios entre suas economias, e é difícil enfrentá-los porque continua sendo uma construção incompleta.

Apesar disso, a avaliação global é de união bem-sucedida, especialmente depois de a moeda única ter sobrevivido às apostas mais duras da crise - a desconfiança dos mercados, os resgates a vários países e a ameaça da saída da Grécia - não só sem quebrar, mas reforçando sua estrutura no processo.

"O euro tem agora uma base muito mais estável do que antes da crise, e a economia da zona do euro é muito mais resistente", disse em recente discurso o diretor-gerente do Fundo de Resgate da Zona do Euro (MEE), Klaus Regling, que conhece bem o trabalho hercúleo que foi sustentar Irlanda, Portugal, Chipre, Espanha e, ainda hoje, a Grécia.

"Não podemos dar a impressão de que estamos eternamente em processo de reparação", argumentou ele, para quem a superação da crise na zona do euro é motivo de "otimismo" sobre a capacidade da Europa frente a outros desafios.

Tanto é assim que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, defendem o euro como exemplo das virtudes de uma UE de vários ritmos, onde os países que queiram possam se aprofundar na integração de certas áreas sem que os demais sejam obrigados a fazer o mesmo.

"O euro determinará a primeira velocidade, e os países da UE que estiverem fora serão a segunda", explicou a subdiretora do Centro de Estudos Europeus, Maria Demertzis, que defende que outros Estados não comunitários, como Reino Unido e Turquia, poderiam ser a "terceira velocidade".

Para ela, em temas econômicos, o euro será o mínimo de cooperação e a UE deveria refletir sobre se convém ou não obrigar os demais países a adotarem a moeda única, como exigem hoje os tratados.

"Talvez fosse benéfico que isto não estivesse entre o topo na lista de prioridades", opinou.

A construção de uma "aliança" em torno do euro ganha especial relevância em um contexto de tendências desintegradoras como o Brexit, auge de partidos eurocéticos e nacionalistas, e incertezas globais pelos ventos protecionistas que sopram dos Estados Unidos. Além destes desafios, a União Econômica e Monetária continua afetada pela falta de uma união bancária e um sistema comum de garantia de depósitos, já estipulados, mas ainda não implantados pelas diferenças entre os países, e de uma união fiscal que, por enquanto, não é debatida.

Dos avanços conseguidos neste sentido dependerá o futuro da moeda única e, em boa medida, o da União Europeia.

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