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Londres reconhece preocupações da Irlanda pelo "Brexit", afirma Kenny

Dublin, 29 mar (EFE).- O primeiro-ministro da Irlanda, Enda Kenny, afirmou nesta quarta-feira que a carta entregue pelo Reino Unido para a ativação do "Brexit", a saída da União Europeia, reflete as preocupações do governo de Dublin e a posição especial que o país ocupa perante a separação.

Kenny, que fez essas declarações à emissora pública "RTE" desde Malta onde participa da conferência do Partido Popular Europeu (PPE), indicou que as conversas mantidas com sua colega britânica, Theresa May, serviram para reconhecer o impacto que terá o "Brexit" na Irlanda.

O chefe do Executivo de Dublin disse que acredita que as negociações sobre as condições da saída do Reino Unido se desenvolverão em um ambiente "positivo e otimista", mas considerou que podem se prolongar durante mais de dois anos, dada sua complexidade.

May confirmou hoje que invocou o Artigo 50 do Tratado de Lisboa para dar início a um período de dois anos de conversas sobre o "Brexit", nas quais, segundo Kenny, a Irlanda parte desde uma posição de força.

Embora Dublin irá à mesa de negociação como membro da UE, o "Taoiseach" (primeiro-ministro) lembrou que a República da Irlanda será o único país comunitário que manterá uma fronteira terrestre com o Reino Unido, além de Espanha com Gibraltar.

Kenny destacou também que a UE contribui decisivamente ao processo de paz lançado na ilha da Irlanda em 1998 com a assinatura do acordo da Sexta-Feira Santa, quando se beneficiou dos fundos comunitários durante as últimas duas décadas.

Além disso, recalcou que a maioria das análises econômicas realizadas até o momento mostra que a Irlanda será um dos países mais afetados após a saída do Reino Unido.

Após ser revelado o conteúdo da carta de May, Dublin ressaltou que o "Brexit" terá "consequências políticas, econômicas e sociais significativas" para a Irlanda, embora tenha manifestado confiança em amortecer seu impacto durante as negociações.

Em comunicado, o Executivo irlandês informou que publicará no final de abril um "detalhado plano" sobre "suas prioridades".

"O governo trabalhou muito duro durante mais de dois anos, desde antes inclusive do referendo britânico (sobre o 'Brexit'), para cooperar com todos os setores da ilha da Irlanda e identificar nossas principais áreas de preocupação e para desenvolver nossas prioridades negociadoras", segundo a nota.

Entre estas, destaca a proteção do processo de paz na Irlanda do Norte, que passa, de acordo com Dublin, pela manutenção "de uma fronteira aberta" e da Área de Circulação Comum (CTA), estabelecida na década de 1920 para permitir a livre circulação entre o norte e o sul da ilha.

No texto da carta entregue pelo embaixador britânico na UE, Tim Barrow, Londres reserva um parágrafo em particular à situação na Irlanda do Norte, na qual manifesta a importância de proteger o processo paz.

Também ressalta a importância de assegurar que o "Brexit" não "prejudique a República da Irlanda".

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