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BID defende globalização e reconhece "enorme dano" do 'caso Odebrecht'

Alfonso Fernández.

Assunção, 30 mar (EFE).- O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) reiterou nesta quinta-feira sua defesa da globalização, que afirmou que deve se "intensificar" diante da onda protecionista procedente dos Estados Unidos, e reconheceu o "enorme dano" aos investimentos em infraestrutura causado pelo escândalo de corrupção protagonizado pela Odebrecht.

"Não podemos assumir sobre bases falsas ou equivocadas que o comércio não ajudou", afirmou o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, ao ser perguntado pela Agência Efe em entrevista coletiva sobre a mudança de tom em Washington com a chegada do presidente Donald Trump, que fez do nacionalismo econômico uma de suas prioridades.

Em relação à mudança de rumo dos EUA, Moreno ressaltou que "é o momento de nos globalizarmos mais e dentro de nossa própria região" para que esta estratégia funcione como fonte de crescimento.

O presidente do BID ressaltou que esta necessidade de acelerar a integração regional será um dos principais temas da reunião anual do banco, que acontece no Paraguai até o próximo domingo.

Moreno também comentou o escândalo de propinas pagas em diversos países pela Odebrecht.

"O caso Odebrecht causou enorme dano à empresa, a alguns governos, mas o dano maior é que se pode gerar uma ideia de que as parcerias público-privadas são ruins", argumentou o ex-ministro colombiano. "Especialmente em um momento no qual consideramos que a América Latina tem que dobrar os investimentos em infraestrutura na próxima década e é impossível de fazê-lo sem uma alta participação do setor privado", acrescentou.

Segundo documentos divulgados em dezembro pelo Departamento de Justiça dos EUA, a empreiteira pagou US$ 788 milhões em propinas em mais de 100 projetos em países como Angola, Argentina, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela.

"Temos que encontrar soluções. O que aconteceu com a Odebrecht e no Brasil é uma oportunidade de aprender onde estão as falhas", disse Moreno a jornalistas na sede do Comitê Olímpico do Paraguai, onde acontece a reunião anual do BID.

O primeiro dia da programação do evento teve como principal fórum o "Idealizar Soluções", uma discussão sobre o papel da mulher como motor de inovação e transformação social e econômica na região e do qual participaram mais de 15 empreendedoras do continente.

"Há barreiras invisíveis", declarou à Efe Victoria Flexer, do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) da Argentina e que dirige um projeto para melhorar as tecnologias de extração de lítio e desenvolver baterias de alto rendimento na província de Jujuy.

Flexer ressaltou que embora "as bolsas de estudos e os postos de pesquisa estejam abertos a todo mundo, muitas vezes, quando uma mulher vai a uma entrevista de emprego ou apresenta um trabalho científico ou tecnológico, há olhares de espanto, o que é preciso reverter".

Cerca de 2 mil pessoas, entre líderes dos setores público e privado, além de representantes da sociedade civil e ministros de Economia e Fazenda participam da 58ª edição da Assembleia Anual de Governadores do BID e da 32ª edição da Reunião Anual da Assembleia de Governadores da Corporação Interamericana de Investimentos (CII).

Nesta sexta-feira será realizado o Fórum Empresarial, que terá a presença de dezenas de líderes do setor e de representantes governamentais. Durante o dia também está prevista a realização de várias reuniões bilaterais entres líderes empresariais e ministros da região.

O BID também aproveitará sua reunião anual para divulgar os tradicionais relatórios macroeconômicos e de sustentabilidade da região.

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