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PIB do Uruguai crescerá 2,5% apesar de "incertezas" em Brasil e Argentina

Montevidéu, 30 mar (EFE).- O PIB do Uruguai crescerá 2,5% em 2017 apesar da "relevante" influência dos fatores externos na situação do país, especialmente a "incerteza" com a recuperação econômica de Brasil e Argentina, afirmou à Agência Efe o economista uruguaio Ignacio Munyo.

"Os fatores chave do exterior que determinam a economia do Uruguai são as condições financeiras internacionais. Os preços dos produtos que o Uruguai exporta, o preço de importação do petróleo e a situação de Argentina e Brasil, já que nossos vizinhos são sempre relevantes para o Uruguai", disse.

Munyo afirmou que calcula que o crescimento de 2,5% se explica por "um muito bom primeiro semestre no qual o turismo teve um papel preponderante".

"Tivemos uma excelente temporada turística. Quando saírem os dados deste primeiro trimestre, isto vai pôr um sinal de crescimento para o resto do ano", comentou.

No entanto, ele alertou que a economia uruguaia a médio prazo apresenta "um panorama um pouco mais nublado".

"Há muita incerteza internacional, e aí será fundamental ver como começará a se desenvolver o governo de Donald Trump (nos Estados Unidos) em dois aspectos fundamentais que têm um impacto indireto, mas muito grande, no Uruguai, que são o plano de infraestruturas e a reforma tributária", argumentou.

Para o analista uruguaio, os dois fatores têm um impacto "grande sobre os capitais que fluem em nível internacional e que vão olhar com mais atenção para os Estados Unidos, em detrimento de economias como a uruguaia ou as outras economias emergentes".

O economista expôs estas perspectivas durante o fórum "Perspectivas econômicas do Uruguai: onde se joga nossa sorte?", que aconteceu na Câmara de Comércio Espanhola em Montevidéu, durante a inauguração do Ciclo de Cafés da Manhã de Consulta 2017.

Munyo explicou que, para tornar seu país mais atrativo ao investimento estrangeiro, "devem ser derrubadas barreiras muito grandes na produtividade"

"O Uruguai é um país muito pouco produtivo e que tem barreiras fortes em quatro grandes áreas que identificamos: a deterioração da qualidade da mão de obra; o forte peso do Estado no setor privado uruguaio, a antiquada legislação trabalhista e a inflação internacional", disse.

O economista inclusive citou um eventual afastamento do Mercosul em sua atual situação como uma medida que pode contribuir para seu país.

"O Uruguai tem que ser muito mais aberto. Tem que tentar tomar distância o mais possível de um Mercosul que é fechado, e tem que buscar abrí-lo, porque se não puder fazer isso, terá que buscar escapar de forma alguma, pois precisa ter acordos de livre-comércio com mais países", especificou.

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