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América Latina voltará a crescer após 2 anos de recessão, segundo BID

Julio César Rivas.

Assunção, 31 mar (EFE).- Após dois anos de recessão, a América Latina e o Caribe voltarão a crescer economicamente em 2017, afirmou nesta sexta-feira o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em seu relatório macroeconômico que destacou a recuperação das duas locomotivas regionais, Brasil e Argentina.

Porém, o BID também ressaltou que o grande nível de incerteza gerada pelas mudanças políticas nos Estados Unidos, e em menor medida em outros países desenvolvidos, e o risco de uma rápida alta das taxas de juros pairam de forma perigosa sobre os indicadores da região.

O BID explicou no relatório, apresentado no segundo dia da reunião anual da instituição que acontece em Assunção, que em 2017 a região crescerá entre 1,5% e 1,7%, enquanto para o triênio 2017-2019 o crescimento médio será de 2% em condições normais.

No entanto, em uma demonstração da incerteza que se vive em nível global, o BID simulou quatro cenários que contemplam, entre outros modelos, um crescimento maior que o previsto de Brasil e Argentina e a implementação de políticas comerciais protecionistas nos Estados Unidos.

Neste último caso, o crescimento da economia latino-americana e caribenha se reduzirá em quatro décimos até 1,6%, embora o México, que depende em grande medida de suas exportações aos Estados Unidos, perderia até oito décimos de crescimento.

O economista-chefe do BID, José Juan Ruiz, destacou durante uma entrevista coletiva que o maior efeito sobre a região das políticas protecionistas propostas por Donald Trump não seria fruto do impacto negativo ao México, mas à economia mundial.

Ruiz explicou que, se os Estados Unidos impuserem tarifas alfandegárias de ajuste às seis economias com as quais tem maiores déficit comerciais, o impacto será global.

"O importante é que, já que o 'choque' é global, o impacto não fica restrito ao que ocorre à economia mexicana, mas através do canal da China, acaba tendo impacto negativo sobre Argentina, Brasil, Paraguai, Chile, Equador, Peru, Colômbia, todos exportadores de commodities", destacou Ruiz.

O economista-chefe do BID cifrou que, nesse cenário, o crescimento da região se reduziria em 30%.

O relatório "Caminhos para Crescer em um Novo Mundo Comercial" do BID explicou que, enquanto no México o impacto das políticas de Trump reduziria o crescimento previsto de 2,2% para 1,4%, no Cone Sul e na região andina o número seria a metade.

Mas o economista-chefe do BID também disse que as mudanças políticas nos Estados Unidos não são o maior risco para as economias latino-americanas, e sim os níveis de endividamento com os quais estão saindo da recessão.

"Desta crise saímos com um nível de dívida pública maior, com um nível de dívida externa maior e com um setor privado mais endividado do que entramos em crise", ressaltou Ruiz.

"Em um momento em que o mundo se aproxima de um aumento das taxas de juros, isto é uma vulnerabilidade, porque maiores taxas de juros podem encarecer o serviço da dívida e diminuir a tolerância dos mercados para continuar financiando as políticas que estamos desenvolvendo", acrescentou.

"Acredito que este é o maior risco que a região enfrenta hoje", completou.

Ruiz também frisou que os países da região melhoraram suas políticas econômicas, o que contribuiu para uma melhor saúde financeira na América Latina e no Caribe.

"Desde o relatório do ano passado, houve vários fatos positivos à medida que a região avança na implementação de melhores políticas", disse Ruiz.

"Em alguns países, os esforços para realizar reformas tributárias conseguiram um maior grau de igualdade e eficiência. As políticas monetárias das economias maiores mantiveram a inflação no limite e calculamos que o processo de ajuste externo se encontra próximo de ser completado na maioria dos países", salientou.

Para finalizar, Ruiz e o relatório do BID aconselham os países latino-americanos e caribenhos a se proteger melhor dos impactos negativos: "A América Latina tem que ser previsível", concluiu.

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