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América Latina volta a crescer, mas falta de integração regional afeta ritmo

São Paulo, 4 abr (EFE).- Representantes de multinacionais com negócios no Brasil e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) se reuniram nesta terça-feira em São Paulo em um seminário que discutiu a atual conjuntura econômica latino-americana e os desafios para o crescimento da região.

A tônica do evento, aberto pelo economista-chefe e gerente do departamento de investigação do BID, José Juan Ruiz, foi de otimismo, mas com cautela.

Ruiz destacou a retomada do crescimento na América Latina, especialmente alavancada por Brasil e Argentina - que voltarão a crescer após uma severa recessão - e também pelo cenário macroeconômico global.

Apesar disso, o economista do BID avaliou que a heterogeneidade da região é uma ameaça a um crescimento mais consolidado, especialmente pela falta de conexão entre os países latino-americanos e devido à ausência de políticas e acordos comerciais conjuntos que reforcem a importância do continente.

"É preciso buscar uma visão regional integrada e completar acordos comerciais na América Latina, assim como estender a unificação das regras de origem e repensar a logística da região", afirmou Ruiz.

Essa ponderação foi unânime entre os empresários presentes. Yago Palao, diretor regional para a América da Prosegur; Teodoro López, CEO para as Américas da Everis; e Fernando Alves, sócio-presidente da PWC no Brasil, consideram a falta de integração tributária, trabalhista e legislativa como o principal empecilho ao crescimento sólido e constante da região, tanto internamente quanto globalmente.

A melhora na economia dos Estados Unidos - com o aumento das taxas de juros e mudanças nas políticas fiscal e comercial - também foi objeto de atenção dos especialistas, que consideram que essas mudanças podem causar fricções no mercado global.

Para Fabian Bornhost, representante residente no Brasil do FMI, essas mudanças geopolíticas influenciam a economia da região, e a mudança no ritmo da atividade economica mundial já pôde ser sentida desde meados de 2016, mas ainda em ritmo menor do que na primeira década do século 21.

Bornhost também destacou o estímulo da economia chinesa e o acordo dos principais produtores mundiais de petróleo de reduzir a oferta como um dos elementos que elevaram os valores das commodities, principal produto de exportação dos países da América Latina, com cerca de 40% do investimento externo direto.

"A América Latina voltou a crescer, ainda abaixo do que poderia. Mas, além do cenário mundial, a sólida atual do Banco Central no Brasil, por exemplo, foi sólida para segurar a inflação e permitir a recuperação econômica", disse o representante do FMI.

A expectativa agora, segundo ele, é que as reformas capitaneadas pelo governo brasileiro possam aumentar a competitividade do país.

Apesar de o Fundo não fazer nenhuma recomendação específica, Bornhost citou o que considera os desafios desse setor.

"O Brasil tem uma população relativamente jovem, e em comparação com outros países, um gasto muito alto com previdência, que se tornará insustentável no médio longo prazo. É preciso rever questões como idade, benefícios duplicados, tempo de contribuição e equiparação entre o setor público e o privado", afirmou.

Para o Brasil, país mais rico da América Latina, ser motor da região, são necessários integração comercial e ajustes internos.

A integração foi uma das grandes questões levantadas pelos empresários presentes ao seminário, organizado pela Câmara Espanhola de Comércio.

As diferenças fiscais e trabalhistas entre os países da América Latina e as dificuldades migratórias para os trabalhadores latino-americanos foram os principais desafios apontados por Teodoro López, da Everis.

"Além da falta integração entre universidade e mercado, assim como a possibilidade de intercâmbio de profissionais na própria região, é difícil compartilhar mão de obra", afirmou López.

A educação e a formação de profissionais são, para Yago Palao, da Prosegur, fundamentais para essa transição, assim como o papel das próprias empresas - de responsabilidade social e corporativa - para o desenvolvimento regional.

A falta de estratégia conjunta - do México à Argentina, foi destacada por Fernando Alves, da PWC, para quem a região precisa se abrir à migração. Segundo ele, o Brasil é especialmente restritivo, e uma abertura contaminaria positivamente toda a economia.

"É preciso buscar novos modelos de negócio e perder o medo de competir. Seria bom socialmente, para a geração de renda e politicamente", concluiu López.

O seminário foi encerrado por Eduardo Navarro, presidente da Telefonica Brasil, que assumiu em novembro de 2016.

Para Navarro, a nova geopolítica norte-americana abre espaço para a aproximação da América Latina consigo mesma e com a Europa.

cd/id

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