Xi terá primeiro encontro com Trump com Pyongyang no ponto de mira

Tamara Gil

Pequim, 5 abr (EFE).- O presidente da China, Xi Jinping, inicia na quinta-feira uma viagem aos Estados Unidos para manter o primeiro encontro com Donald Trump, uma reunião complexa na qual a Coreia do Norte será assunto central, após os contínuos testes balísticos do regime dos Kim, o último deles nesta quarta-feira.

Xi chegará na quinta-feira ao clube privado do líder americano, Mar-a-Lago, na Flórida, após sua visita de Estado à Finlândia e acompanhado de sua esposa, com quem desfrutará nessa mesma noite de um banquete que oferecido por Trump.

O crucial encontro "frente a frente" durará cerca de 24 horas, com uma parte mais informal em sua chegada na quinta-feira e reuniões de trabalho no dia seguinte.

Em função de seu estado de ânimo, ambos líderes compartilharão algum passeio, mas não haverá lugar para o golfe que Trump praticou com o primeiro dignatário estrangeiro a quem convidou para visitar sua mansão, o japonês Shinzo Abe.

Embora ambos governos defendam conseguir uma relação construtiva, estão previstas turbulências. O próprio Trump já antecipou que será uma reunião difícil e os especialistas coincidem em duas frentes: Coreia do Norte e o comércio.

"A cooperação da China para conter a ameaça norte-coreana vai ser um assunto primordial", ressaltou em uma conversa em Pequim o analista do centro Carnegie Endowment for International Peace, Ashley Tellis, cujo nome soou como possível embaixador de Trump na Índia.

A equipe de Trump já antecipou que advertirá Xi que "esgotou" o tempo para ser pacientes com a Coreia do Norte e tratará de convencê-lo para que dê mais passos contra seu vizinho.

A nova Administração reafirmou nesta semana que pensam em todas as opções para conter o desenvolvimento nuclear e armamentístico de Pyongyang, incluída a via militar, um extremo que enfureceria a China, que insiste em voltar ao diálogo.

"Não acredito que nesta reunião cheguem a um acordo", disse a respeito o diretor do Centro de Estudos dos EUA da Universidade de Fudan em Xangai, Sheng Dingli, que defende que Pequim já suspendeu as importações de carvão norte-coreano, uma das principais entradas de capitais de Pyongyang, e se negou a comentar se o país deve tomar mais medidas nesse sentido.

No entanto, Sheng mostrou confiança em que Xi e Trump avançarão em matéria comercial, pois assegurou que há "muita margem" para que a China aumente suas importações, uma ideia que já contemplam as autoridades, que pediram a Washington que relaxe os controles a suas exportações de alta tecnologia para atalhar o déficit.

"Acredito que os chineses levarão uma estratégia razoável para eles, mas não acho que vá ser uma conversa fácil", apontou o analista Tellis.

A proposta de Xi poderia se traduzir em mais investimento e criação de emprego nos EUA, "porém, há muitos eleitores nos EUA afetados pelo comportamento comercial da China dos últimos 30 anos".

Em todo caso, os analistas não acreditam que Trump vá materializar suas ameaças e declarar à China a imposição de tarifas de 45% a seus produtos.

Entre outros assuntos, espera-se que Washington também fale do papel chinês no Oriente Médio e que Pequim siga pressionando contra o desdobramento do sistema antimísseis americano THAAD em solo sul-coreano, que considera uma ameaça, e insista em sua soberania no Mar da China Meridional, onde ambas potências protagonizam um choque de poderes.

"Eu sou otimista. Acredito que será uma reunião bem-sucedida. Claro que haverá discussões, é normal: todos querem defender seus interesses, mas não significa que não possam cooperar", considerou Wang Dong, professor de política internacional na Universidade de Pequim.

Esse mesmo espírito se repete nas declarações do regime comunista, cuja orquestrada encenação é completamente antagônica à imprevisibilidade da Administração Trump.

Agora os especialistas chineses acreditam em que o bem-sucedido magnata não saia "de tom", como fez com outros convidados. "Tenho certeza de que Trump está sendo bem aconselhado do que não deve fazer", enfatizou à Agência Efe o professor Wang.

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