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Maior terminal de petróleo do Irã vive uma época de ouro

Artemis Razmipour.

Jarg (Irã), 9 abr (EFE).- O petróleo é cada vez mais valioso no terminal de Jarg, que desde a suspensão das sanções internacionais sobre o Irã registrou um grande aumento da carga transferida em seus píeres com o aumento das exportações.

Situado em uma ilha do Golfo Pérsico, com uma localização geográfica estratégica e relevos privilegiados, o terminal de Jarg conseguiu alcançar o nível de exportações que tinha há 10 anos.

Esta recuperação permitiu que as nove docas de Jarg chegassem a estar "em funcionamento pela primeira vez após 20 anos", segundo explicou com orgulho o chefe do terminal petrolífero, Abbas Asadruz, durante a recente visita de um grupo de jornalistas à instalação.

De Jarg são feitas 90% das exportações de petróleo do Irã, que desde a entrada em vigor do acordo nuclear em janeiro de 2016 passaram de um milhão de barris por dia para quase 2,3 milhões no mês passado, enquanto a produção alcançará em breve os quatro milhões, segundo os dados do Ministério do Petróleo iraniano.

A média diária de navios que carregam petróleo iraniano no terminal é de três ou quatro, disse Seyed Ebrahim Hoseini, um dos responsáveis pelas operações de carga e exportação de Jarg, enquanto mostrava os grandes tanques de combustível.

Hoseini detalhou que os cargueiros têm Europa e Ásia como destinos. França, Espanha, Grécia, Itália, China, Índia, Turquia e Japão são alguns dos compradores diretos ou dos quais o petróleo iraniano é transferido a outros países.

Tudo isto é possível graças à suspensão das sanções e às capacidades do terminal e suas condições privilegiadas que o distinguem de outros lugares em nível mundial.

Em um dos píeres do terminal, Asadruz destacou que uma das facilidades da ilha é a diferença de altitude de 60 a 70 metros acima do nível do mar até os tanques.

"Isto elimina a necessidade de uma bomba ou qualquer amplificador para levar o petróleo aos navios, algo muito importante para a eficiência da operação", detalhou o principal responsável pelo terminal.

Outra das facilidades é a proximidade dos lugares de produção: "Jarg está em uma jazida petrolífera quatro vezes maior que a própria ilha", ressaltou.

O terminal é composto por dois píeres principais, com uma capacidade total de exportação de oito milhões a dez milhões de barris por dia, embora o recorde de carga por enquanto seja de 6,6 milhões.

O píer "T", que é o maior do Irã, tem seis docas, cada uma com cinco máquinas de medição com capacidade de 13,5 mil barris de petróleo por hora, detalhou Asarduz.

O outro píer principal, chamado "C island", com três docas e até 30 metros de profundidade, "pode atracar o maior navio transatlântico", de 300 mil toneladas (o equivalente a dois milhões de barris de petróleo).

Algumas dessas cargas foram adquiridas no ano passado pela anglo-holandesa Shell, a francesa Total, a espanhola Cepsa e a italiana Eni, como parte do objetivo do Irã de aumentar as exportações à Europa até 800 mil barris por dia nos próximos dois meses.

Embora funcionasse menos durante as sanções, com produção destinada à Ásia, o terminal nunca ficou abandonado. Os diretores aproveitaram o período para fazer uma exaustiva revisão da instalação.

Foram inspecionados os encanamentos, tanques e píeres, que não tinham sido checados nos últimos 60 anos, o que permitiu que, após a época de declive, tudo estivesse pronto para que Jarg ressurgisse como a principal conexão entre o mercado petroleiro iraniano e a economia mundial.

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