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Trump manda investigar se importações de aço ameaçam segurança dos EUA

Miriam Burgués.

Washington, 20 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou nesta quinta-feira que o Departamento de Comércio faça uma investigação para determinar se as importações de aço, particularmente as procedentes da China, são uma ameaça para a segurança nacional, em linha com suas promessas protecionistas.

Em um ato no Salão Oval, Trump assinou um memorando relacionado com o artigo 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, que outorga ao presidente americano autoridade para fixar barreiras ou tarifas às importações de certos produtos por razões de segurança nacional.

Amparado nessa lei, Trump pediu ao Departamento de Comércio que inicie uma investigação sobre se as importações de aço têm implicações para a segurança nacional, como passo prévio antes de decidir que medidas se pode tomar a respeito.

Flanqueado por representantes da indústria siderúrgica, Trump comentou perante os jornalistas que manter a produção nacional de aço é algo "extremadamente importante" para a segurança e a indústria de defesa dos EUA.

"O aço é fundamental tanto para nossa economia como para nossas forças armadas. Esta não é uma área onde possamos nos permitir depender de países estrangeiros", enfatizou o presidente americano.

Trump também destacou que o dumping (venda abaixo do preço do mercado) é um "problema tremendo" que está "minando" à indústria americana.

A esse respeito, em um encontro com jornalistas sem câmeras para oferecer detalhes da investigação ordenada por Trump, seu secretário de Comércio, Wilbur Ross, apontou diretamente para a China e disse que as importações de aço desse país continuaram crescendo, apesar de Pequim ter se comprometido a reduzir sua produção do metal.

Durante o mandato do ex-presidente Barack Obama, o governo americano apresentou várias queixas formais perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) pelos subsídios que a China outorga a certos produtores de alumínio e aço, algo que, na visão de Washington, saturou os mercados e reduziu os preços em nível global.

Ao ser perguntado pelos jornalistas no Salão Oval sobre o impacto que o memorando assinado hoje pode ter nas relações com a China, em particular na colaboração para conter a Coreia do Norte, Trump argumentou que sua medida "não tem nada a ver" com o gigante asiático, senão com o "problema mundial" causado pelo dumping.

O Departamento de Comércio lembrou em um comunicado que os EUA não impõem tarifas às importações de aço e que tiveram que estabelecer tarifas compensatórias ou antidumping em 152 casos, com outros 25 pendentes de resolução.

Segundo detalhou Ross, essas medidas não resolveram o problema e, por isso, é necessário "buscar uma solução mais completa".

As importações de aço representam hoje 26% do mercado, enquanto as siderúrgicas e fundições dos EUA estão operando a 71% de sua capacidade total e, portanto, "há espaço para um aumento", declarou Ross.

Nesse sentido, a investigação ordenada por Trump "considerará a produção e a capacidade, a mão de obra, investimento, pesquisa e desenvolvimento, e outros fatores, para determinar se as importações de aço ameaçam a segurança americana", de acordo com o Departamento de Comércio.

"A partir de agora, vamos defender os empregos e trabalhadores americanos e sua segurança, e as empresas americanas de aço (...). A ação de hoje é o próximo passo vital para fazer os Estados Unidos fortes e prósperos de novo", prometeu Trump.

Durante sua campanha eleitoral, o magnata prometeu revitalizar a indústria siderúrgica e, já como presidente, em janeiro, reativou a construção de dois polêmicos oleodutos que, segundo ordenou, terão que ser feitos com aço fabricado nos EUA.

Nessa mesma linha protecionista, o governante assinou na terça-feira passada uma ordem executiva que poderia resultar no endurecimento de requisitos para alguns vistos e a revisão dos acordos comerciais que permitam a empresas estrangeiras concorrer a contratos públicos americanos.

Além disso, como ele mesmo lembrou hoje, Trump retirou os EUA do Tratado Transpacífico (TPP), assinado em 2016 com 11 nações da região Ásia-pacífico, entre elas o Japão.

O presidente americano se declarou hoje "muito orgulhoso" de ter ordenado essa retirada, já que, em sua opinião, manter os EUA no TPP teria sido um "desastre", similar ao que está acontecendo com o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

"(O Nafta) é um desastre comercial", reiterou hoje Trump ao antecipar que haverá novidades nas próximas duas semanas sobre o que planeja fazer com esse acordo, assinado por EUA, Canadá e México há mais de duas décadas e cuja renegociação é uma de suas obsessões. EFE

mb/rsd

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