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China começa contagem regressiva para decolagem do jato C919

Paula Escalada Medrano.

Xangai (China), 4 mai (EFE).- Ainda não há uma data definitiva para a decolagem, mas já está tudo pronto para que nas próximas semanas o voo inaugural do esperado C919, o primeiro avião de passageiros de tamanho médio fabricado na China que, segundo os especialistas, pode quebrar em alguns anos a hegemonia de Boeing e Airbus.

O avião, já concluído, em um dos hangares do centro de testes de voo da Commercial Aircraft Corporation of China (Comac), a empresa fabricante, próximo ao Aeroporto Internacional de Pudong, em Xangai.

O jato foi mostrado nesta sexta-feira a um grupo de jornalistas e profissionais aeronáuticos, como parte de um congresso sobre aviação organizado conjuntamente pela Administração de Aviação Civil da China e a Agência Europeia de Segurança Aérea.

Este fórum ressaltou a necessidade de incrementar a segurança e a cooperação entre Europa e China nesta matéria.

"O mais importante para nós é a segurança, é a base de nossa companhia", disse em seu discurso o presidente da Comac, Hei Dongfeng.

Garanti-la, segundo Dongfeng, foi um dos princípios desta empresa estatal fundada em 2008, e talvez por isso os prazos do C919 tenham sido adiados, já que a China não pode permitir um só erro em seus aviões.

Em meio a uma grande expetativa, em novembro de 2015 foi apresentado o primeiro aparelho construído e pronto para os testes em terra e os primeiros voos aconteceriam em 2016, o que acabou não acontecendo.

Mas finalmente há alguns dias a Comac anunciou que o avião tinha superado sua quarta e última bateria de testes de alta velocidade, o último passo antes de seu primeiro voo, que será operado pela companhia aérea China Eastern.

Os testes foram realizados no Aeroporto Internacional de Pudong e neles o trem de pouso dianteiro levantou ligeiramente do chão pela primeira vez para simular uma decolagem.

"O C919 terminou todos os testes necessários antes de seu primeiro voo", disse então seu chefe de projeto, Wu Guanghui.

Situada nas imediações do principal aeroporto de Xangai, a Comac tem vários centros de projeto, montagem e testes, uma mostra do potencial aéreo que o país tem.

"Poderíamos estar fabricando até cem aviões ao mesmo tempo nas diferentes instalações", disse uma funcionária da Comac durante uma visita pelas diferentes instalações. A empresa calcula ter uma capacidade de fabricar 150 unidades anuais do C919.

"Estamos orgulhosos de ter o maior centro de montagem final da Ásia", explicou a funcionária, junto a outro C919 que também já foi construído, o segundo. Por enquanto, foram recebidos 570 pedidos, a maioria na própria China.

Neste centro também são fabricados os exemplares já vendidos de um modelo menor, o bimotor regional ARJ21, que também teve um desenvolvimento muito longo e realizou seu primeiro voo comercial em meados do ano passado,

Mas o C919 é o grande desafio da companhia, um aparelho de fuselagem estreita, um segmento que representa atualmente mais da metade das aeronaves comerciais em atividade do planeta.

O aparelho pode levar entre 158 e 174 passageiros, em função das diferentes configurações possíveis, com uma autonomia de 4.075 a 5.555 quilômetros.

Seus equivalentes das duas grandes empresas que hoje dominam o mercado são o americano Boeing 737 e o europeu Airbus A320.

Por isso, caso tudo corra bem durante o próximo voo, os especialistas asseguram que poderia começar uma nova era na indústria aeronáutica, na qual a China poderia começar a tomar terreno das duas grandes companhias.

Mesmo assim, ainda faltam alguns anos para que isto aconteça. Após o primeiro voo, o C919 terá que passar por três anos de sucessivos testes para que possa entrar em serviço comercial. Ou seja, só depois de 2020 o céu poderá ver os maiores aviões chineses de passageiros.

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