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PMEs agrícolas buscam otimizar investimentos para crescimento sustentável

Otavio Nadaleto.

Ribeirão Preto (SP), 4 mai (EFE).- Pequenas e médias empresas agrícolas estão buscando otimizar os investimentos, com contratos de menor valor e soluções que contribuam para o desenvolvimento sustentável, avaliaram alguns especialistas que participam da Agrishow, a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina e que termina nesta sexta-feira, em Ribeirão Preto, no interior do estado de São Paulo.

A conclusão sobre o perfil de investimentos dessas companhias partiu da missão de Low Carbon Business Action in Brazil (LCBA), que reúne durante o evento 15 empresas europeias e 24 brasileiras. Juntas, elas pretendem estabelecer negócios com projetos que contemplam a redução da emissão de gases de efeito estufa.

"Considerando o porte dessas empresas, não se trata de megacontratos. Com negócios com oscilam entre 150 mil e 500 mil euros, a ideia é otimizar esses recursos", indicou à Agência Efe o alemão Joachim Eissler, chefe da missão da LCBA.

O também alemão Thomaz Dory, da Bert-Energy, companhia especializada em pequenas usinas de biogás, considera como uma "oportunidade" para o crescimento das pequenas e médias empresas esse tipo de contratos menores, mas que podem abranger um maior número de potenciais clientes.

"Nossos competidores ofereceram usinas de geração de megawatts, mas o mercado para elas é menos, enquanto nós temos um potencial de 5 milhões de pequenos fazendeiros somente no Brasil", indicou Dory.

Para Éder Zanetti, da Green Farm CO2FREE, a compra coletiva de terrenos em áreas homologadas pela legislação ambiental permite que pequenos agricultores se unam através de um baixo investimento e usufruam um espaço que individualmente não poderiam obter.

"Claro que nos interessam os grandes contratos, mas com um valor de R$ 6 mil já é possível que muitos possam ter acesso a nossos projetos, dispondo de um terreno sustentável", indicou Zanetti, que aposta pela formação de redes internacionais para facilitar o comércio.

Os participantes da missão defenderam no evento a questão, não somente a partir do ponto de vista retórico, mas também em relação à perspectiva de crescimento econômico.

"O maior problema para o clima não são os carros, e sim a agroindústria e os animais que produzem cerca de 60% dos gases prejudiciais ao clima", indicou Dory, para quem as usinas de biogás podem reduzir essas emissões com energia limpa.

"Se formos mais energeticamente eficazes na produção, os custos diminuem e o produtor se torna mais competitivo", concordou Eissler.

Já Zanetti avaliou que, em um ambiente competitivo, a qualificação social e ambiental dos negócios se torna o diferencial. "Há diversos estudos que demonstram que as empresas com ações de responsabilidade socioambiental ganham reconhecimento e são valorizadas pelo mercado", afirmou.

O presidente da Agrishow, Fabio Meirelles, defendeu o setor agrícola e pecuário como um suporte de crescimento para a economia do Brasil. Para ele, o país conta com um "sistema moderno" que certifica a agricultura como "segura" tanto para o mercado interno como para o externo.

Considerada como a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, a 24ª edição da Agrishow termina nesta sexta-feira em Ribeirão Preto, com 800 expositores e especialistas do setor público e privado.

Segundo os organizadores, 152 mil visitantes de 70 países passarão pela feira durante os quatro dias do evento. A previsão é de um aumento dos negócios de 15% em relação a 2016, quando o evento movimentou R$ 1,95 bilhão.

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