Tanoeiros de Pilsen preservam tradição que mantém cerveja original

Gustavo Monge.

Pilsen (República Tcheca), 7 mai (EFE).- A associação dos tanoeiros de Pilsen, composta por nove artesãos, mantém hoje viva a tradição, quase extinta na Europa, de fabricar e manter barris de carvalho onde fermentam a cerveja do mesmo modo que se fazia há 174 anos, quando nasceu a cervejaria Pilsner Urquell.

A empresa, a maior do setor na República Tcheca, mantém uma pequena produção em barris por razões de controle de qualidade e para atender à demanda de alguns clientes que solicitam cerveja sem ser pasteurizada nem filtrada.

Estes tanoeiros são os últimos expoentes de uma profissão que resiste ao desaparecimento e que com o tempo tem se tornado mais especializada, ao requerer mais tempo e atenção do que o trabalho de um carpinteiro, a fim de manter um sistema de produção do passado.

A ideia é preservar as condições de outras épocas e que o líquido dourado que amadurece nestes tonéis de madeira seja o de referência quanto à textura, sabor e aspecto, para a produção industrial da Pilser Urquell.

Isso é possível com a ajuda desta associação um tanto exclusiva e que em 2007, depois de três décadas, aumentou em dois seu número de membros, que passam por um exigente programa de aprendizagem de três anos, comandados por um professor tanoeiro na oficina da cervejaria.

Estes artesãos, que passam os conhecimentos de geração em geração, continuam fazendo barris da forma tradicional, e sem que haja nenhum manual de instruções.

O último a entrar na associação foi Michal Rehorek, então com 33 anos, que trabalhou como carpinteiro por quase 15 anos antes de entrar no programa da Pilsner Urquell.

O grupo atual tem nove pessoas, mas nos anos de maior atividade, quando toda a cerveja era fermentada em barris, a empresa chegou a ter 150 tanoeiros.

No início do século XX, nos porões eram utilizados seis mil tonéis e barris de madeira, até que na década de 1960 foram adotados recipientes de metal tanto na indústria como nas casas.

Em 2016, a principal cervejaria tcheca, que hoje faz parte do grupo japonês Asahi, produziu 11 milhões de hectolitros e vendeu no exterior 3,8 milhões de hectolitros.

Todas as marcas juntas (Pilsner Urquell, Radegast, Kozel, Birell, e a sidra Kingswood) registraram um aumento das exportações de 10%, segundo a empresa.

Duas vezes por ano, com os grandes tonéis de 40 hectolitros vazios, os tanoeiros aplicam uma resina para desinfetar e formar uma camada protetora entre a madeira e a cerveja, algo que serve para preservar o sabor.

Esta produção artesanal de Pilsen acontece nos porões históricos, que medem nove quilômetros, e onde até o final do século XX era realizado todo o processo de fermentação.

Nessa complexa rede existe uma pequena área de degustação onde as visitas guiadas, que em 2015 somaram 750 mil pessoas, podem provar o "lager" original sem ser filtrado nem pasteurizado.

Hoje a fermentação acontece em grandes cisternas de aço inoxidável, que se mantêm na temperatura necessária com a ajuda de líquidos refrigeradores.

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