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Macri quer tornar Argentina o "supermercado de alimentos da Ásia"

Nerea González.

Buenos Aires, 20 mai (EFE).- Como uma espécie de profissional de "relações públicas", o presidente da Argentina, Mauricio Macri, visitou nos últimos dias Emirados Árabes, China e Japão em uma viagem de agenda cheia à Ásia para abrir portas para os produtos de seu país, especialmente os alimentícios, e continuar com seu plano de captar investimentos.

Macri colocou esta viagem entre seus compromissos mais importantes do ano, devido ao potencial para a Argentina da abertura de novos mercados na Ásia, onde promoveu a qualidade da carne, do vinho e até de jogadores de futebol.

"A Ásia geralmente é um grande demandante de alimentos, e a Argentina, como estava se fechando (fazendo referência ao kirchnerismo, entre 2003 e 2015) desperdiçou completamente a oportunidade", afirmou à Agência Efe Fausto Spotorno, diretor do Centro de Estudos Econômicos da consultora OJF.

Agora o presidente argentino se mostra convicto de que as possibilidades agroindustriais da Argentina podem torná-la o grande "supermercado" do continente asiático, cuja demanda exponencial de alimentos se apresenta como uma oportunidade chave para o país, ainda que especialistas aleguem que as metas ainda estão muito longe de serem alcançadas.

"Por enquanto o que se está tentando fazer é armar redes internacionais que, com o tempo, vão levar a relações mais sólidas", declarou Spotorno.

"Estamos novos em relações públicas, em avisar ao mundo que a Argentina quer voltar a ter acordos com o resto do mundo, abrir sua economia e ter as mesmas regras do jogo do capitalismo do Ocidente e dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico)", concordou Ramiro Castiñeira, do centro de estudos Econométrica.

Em seu primeira parada, Dubai, Macri afirmou que a Argentina tem capacidade para produzir alimentos para 400 milhões de pessoas, com margem para melhorar nos próximos anos, a autoridades políticas e empresários de um país que importa 80% das suas necessidades alimentares.

Da China, onde participou do fórum sobre plano global de investimentos Novas Rotas da Seda, levou uma promessa de que Pequim aumentará a importação de alimentos com valor agregado para equilibrar a balança comercial - deficitária para a Argentina - e grandes acordos de investimento e cooperação avalidos entre US$ 15 bilhões e US$ 17 bilhões.

Entre eles, destaca-se o relançamento da construção de duas centrais nucleares em solo argentino, que foi negociado com o governo da antecessora de Macri, Cristina Kirchner.

Além do setor agroindustrial, o energético é o que apresenta mais oportunidades para a economia argentina, segundo os especialistas, mas o país precisa de investimentos estrangeiros para desenvolvê-lo.

"É onde a Argentina tem competitividade por natureza, as agroindústrias, e tudo o que é energia", afirmou Castiñeira.

A última parada desta viagem pela Ásia, Japão, apresentou uma agenda similar, mas com mais ênfase em setores como o automotivo, que concentra a maioria dos investimentos nipônicos no país sul-americano através de grandes marcas como Nissan e Toyota.

"É uma potência mundial, com muita tecnologia. A Argentina precisa de tecnologia para atualizar toda a sua cadeia produtiva, com isso, restabelecer as negociações, os contatos, vender matérias-primas para que tragam tecnologia. É bom negócio para ambas as partes", disse Castiñeira.

Sem se atrever a dar prazos para ver frutos destas aproximações, os especialistas veem o contexto atual como uma grande oportunidade para a Argentina e a América Latina.

"Se a China ou a Ásia mostrarem bastante interesse em liderar o processo da globalização e de economias abertas, aí há muito potencial para a região", refletiu.

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