Companhia aérea PIA deixa de ser orgulho para "envergonhar" Paquistão

Jaime León.

Islamabad, 21 mai (EFE).- Antigo orgulho nacional, uma prestigiada companhia aérea que teve Jacqueline Kennedy com passageira e com um papel na geopolítica com a viagem secreta de Henry Kissinger para a China, a Pakistan International Airlines (PIA) enfrenta um futuro incerto com grandes dívidas e seguidos escândalos.

Fundada em 1946, com o nome de Orient Airways, por ordem de Ali Jinnah, fundador do Paquistão, e nacionalizada em 1955, a companhia aérea parece incapaz de recuperar sua antiga reputação por conta de má gestão e seguidos incidentes, que ameaçam, inclusive, com o fim da companhia.

"Tenho que admitir que a PIA não tem disciplina e responsabilidade. Tudo é fraturado em diferentes grupos que beneficiam seus membros", disse Sardar Mehtab Abbasi, ministro da Aviação do primeiro-ministro Nawaz Sharif, durante uma comitê no Senado.

Abbasi recomendou recentemente, diante do comitê especial do Senado sobre o desempenho da PIA, declarar falência e fechar a companhia aérea, de acordo com o jornal "Tribune Express".

"A PIA é gerida por pessoas incompetentes e pouco profissionais. O principal problema é a corrupção e a má gestão", disse à Agência Efe, o presidente do comitê, o senador Mushahid Ullah Khan.

Para o politico, no passado havia menos concorrência e a companhia não soube se adaptar aos novos tempos.

Nos anos 60 e 70, a PIA gozava de um grande prestígio internacional e contou com famosos passageiros como a ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Jacqueline Kennedy, que usou seus serviços em diferentes ocasiões.

Em 1971, o então assessor de segurança nacional dos EUA, Henry Kissinger, foi do Paquistão até a China em um voo secreto da PIA, para se reunir com os líderes do país asiático, em uma viagem que, no futuro, ajudou na melhora da relação entre Washington e Pequim.

A hoje reconhecida Emirates Airlines foi fundada em 1985 com a ajuda da PIA, que lhe forneceu assistência técnica e administrativa, além da formação do quadro inicial de funcionários, como aluguel de aviões.

Mas na década de 90, e especialmente na primeira década do século XXI, a PIA entrou em queda: começou a acumular dívidas, os seus serviços diminuíram e hoje sofre com diversos incidentes.

A companhia acumula cerca de US$ 3 bilhões em dívidas após perder no ano passado aproximadamente US$ 240 milhões.

Agora é raro o mês que a companhia aérea não protagoniza algum escândalo. Recentemente, as autoridades britânicas afirmaram que encontraram heroína em um voo da PIA para Londres, algo que já ocorreu no passado.

No início de maio, os passageiros denunciaram que o piloto de um voo Islamabad-Londres caiu no sono em uma poltrona e deixou a aeronave nas mãos de um piloto ainda em formação.

Já em fevereiro, foi descoberto que um mês antes, sete passageiros realizaram o trajeto Carachi-Medina, de quatro horas de duração, em pé nos corredores do avião, uma violação de segurança por transportar um maior número de pessoas que a capacidade da aeronave.

Em dezembro, 47 pessoas morreram quando o ATR-42 em que viajavam se chocou contra uma montanha no norte do país, após uma suposta falha do motor.

Esse acidente subiu para 751 o número de passageiros mortos em voos da companhia paquistanesa, segundo a Aviation Safety Network, que analisa a segurança na aviação.

Em um dos seus mais humilhantes episódios, a União Europeia proibiu durante vários meses, em 2007, que os aviões da PIA sobrevoassem seu território por motivos de segurança.

"Sofremos alguns incidentes nos últimos meses. Nós estamos investigando", disse à Efe, o porta-voz da PIA, Mashood Tajwar.

Ele se recusou a discutir as causas dos repetidos problemas da empresa. "O nosso principal problema é a falta de aeronaves. Se tivéssemos, poderíamos contar com mais destinos e oferecer mais serviços", afirmou.

O governo estuda o que fazer com a companhia aérea. Sobre a mesa está uma privatização ou uma brutal reestruturação que deixaria na rua muitos de seus 18 mil funcionários, o que já provocou greves.

Khan disse que eles estão investindo na companhia aérea com a ampliação da sua frota de 18 aviões para 35, com o objetivo de recuperar a confiança dos passageiros e reviver a glória do passado.

Dias após o acidente de dezembro, integrantes da equipe da PIA sacrificaram uma cabra em frente a um avião para atrair boa sorte, uma imagem que não contribuiu muito para devolver a confiança e foi reprovada pela companhia aérea, afirmando ter sido iniciativa de seus funcionários.

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