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O crescente impacto da Tesla e de Elon Musk no mundo automotivo

Washington, 14 jun (EFE).- Apenas 13 anos após sua fundação, a Tesla, fabricante de automóveis elétricos de luxo, está começando a ter profundo impacto no setor automotivo nos Estados Unidos, apesar de seu pequeno tamanho em comparação com as grandes e tradicionais montadoras.

Em 2016, a Tesla produziu 83.922 veículos. Em comparação, a General Motors (GM), maior das gigantes do setor nos EUA e terceira maior do planeta, produziu no mundo todo cerca de 10 milhões de veículos.

Além disso, enquanto a GM teve lucro de US$ 9,7 bilhões em 2015 e de US$ 9,43 bilhões em 2016, a Tesla teve prejuízo de US$ 675 milhões após investimentos de pouco mais de US$ 7 bilhões.

Apesar de sua pequena cota de mercado nos EUA e de suas perdas, na semana passada a capitalização da Tesla na Bolsa de Valores chegou a US$ 60,38 bilhões, mais do que a GM, que está avaliada em US$ 51,48 bilhões.

Em comparação, uma ação da Tesla é cotada a um valor superior a US$ 357, e a da GM vale dez vezes menos, apenas US$ 34.

Na realidade, a Tesla se situa agora como a quarta maior fabricante de automóveis do mundo em termos de capitalização na bolsa, atrás apenas da japonesa Toyota e das alemãs Daimler e Volkswagen (VW).

Já a comparação entre a Tesla e o Grupo Ford, segundo maior fabricante dos Estados Unidos, é até mais dolorosa. Uma ação da Ford na Bolsa custa cerca de US$ 11,10. E isto porque a Ford teve lucros recordes de US$ 7,4 bilhões em 2015 e de US$ 4,6 bilhões em 2016.

O péssimo desempenho da Ford no mercado financeiro em comparação com seus competidores, especialmente a Tesla, é uma das principais razões pelas quais o conselho de administração da empresa aprovou a demissão de seu presidente, Mark Fields, no dia 22 de maio.

Apesar de a Ford investir bilhões de dólares no desenvolvimento de veículos elétricos e autônomos, seus resultados não estão tendo o mesmo impacto que os produtos que a Tesla está colocando no mercado.

O mesmo pede ser dito, com algumas diferenças, sobre a comparação entre a Tesla e as outros duas principais montadoras dos EUA, GM e Fiat Chrysler (FCA).

Para muitos analistas, o fato de Ford, GM e FCA estarem investindo e produzindo veículos elétricos é consequência do crescente sucesso de vendas da Tesla.

O fundador da Tesla, o multimilionário e empreendedor Elon Musk, lembrou na última sexta-feira que a GM foi a primeira montadora a produzir carros elétricos em larga escala na era moderna, quando comercializou o modelo EV1 entre 1996 e 1999.

No entanto, em uma decisão surpreendente que ainda provoca ira em muitos nos Estados Unidos, em 2003, a GM decidiu cancelar o programa do EV1 e destruir todos os veículos existentes, apesar dos protestos de seus usuários.

"Poucas pessoas sabem que começamos a Tesla quando a GM retirou de maneira forçada todos os veículos elétricos em 2003 e os destruiu em um depósito de sucata. (...) Isto foi feito contra o desejo de seus proprietários, que mantiveram uma vigília durante a noite para protestar contra a 'morte' de seus carros", explicou Musk na sexta-feira.

"Já que as grandes companhias estavam acabando com seus programas de Veículos Elétricos (VE), a única opção foi criar uma companhia de VE, inclusive se isto fosse um fracasso quase inevitável", acrescentou.

A vingança não podia ser mais doce para Musk. Agora, não só a Tesla está forçando as grandes montadoras a atenderem ao mercado de veículos elétricos graças a seu sucesso, mas o estilo empresarial de Musk está causando impacto em seus diretores.

Quando Bill Ford, bisneto do fundador da Ford e presidente do conselho de administração da empresa, justificou a decisão de demitir Fields, reconheceu que ele tinha sido incapaz de mudar a antiga cultura da empresa e inspirar seus funcionários e os consumidores americanos.

Sem dúvida, Bill Ford tinha em mente o fundador da Tesla, um visionário que recrutou um exército de leais seguidores, que em muitos casos se transformaram em clientes, e que utiliza o Twitter diariamente para divulgar sua mensagem.

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