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China e Espanha ocupam espaço deixado pela Odebrecht na América Latina

Nova Orleans (EUA), 16 jun (EFE).- A crise da Odebrecht não vai afetar o desenvolvimento de infraestruturas na América Latina porque China e Espanha estão ocupando o espaço deixado pela construtora brasileira, afirmou nesta sexta-feira à Agência Efe em Nova Orleans um executivo da companhia.

"A China tem uma estratégia muito bem definida na América Latina: oferece investimento em troca de commodities. E esse investimento vem principalmente em forma de financiamento de projetos de infraestrutura", explicou o CEO da diretoria de Engenharia e Construção Internacional da Odebrecht, Flávio Faria.

O crescimento do país asiático na região, segundo Faria, é inquestionável e "muito expressivo", mas também "começa a surgir uma recuperação das construtoras espanholas".

"Os espanhóis sempre tiveram uma presença muito forte na América Latina, mas retrocederam um pouco após a recessão de 2008. Agora, estão retomando o espaço que tinham deixado", reconheceu o executivo durante uma conferência realizada pela indústria petroquímica na cidade americana de Nova Orleans.

A Odebrecht é considerada a maior empreiteira da América Latina e está sendo investigada em vários países da região por pagamento de propina a agentes públicos para vencer licitações de contratos de obras públicas.

O Departamento de Justiça dos EUA divulgou em dezembro documentos que revelaram que a construtora pagou cerca de US$ 788 milhões em propina em 12 países da América Latina e da África.

Faria disse que a multinacional está negociando com os países que vetaram sua participação na construção de novos projetos, como o Peru, e que, enquanto isso, está explorando outros mercados como o Oriente Médio, a África e os Estados Unidos, onde esperam conseguir novos contratos até "o fim do ano".

A multinacional já conseguiu fazer acordos judiciais com os governos de EUA, Brasil e Suíça para pagar multas de mais de US$ 2 bilhões e compensar assim os atos ilícitos pelos quais está sendo investigada.

Além disso, o diretor disse que a América Latina "precisa investir desesperadamente em infraestrutura" e lamentou que o investimento da região esteja longe dos 5% do Produto Interno Bruto (PIB) recomendados pela ONU.

"Ter um investimento de 2% ou de 3% não é suficiente e, menos ainda, em países que têm uma demanda enorme. Há países da região que estão na iminência de sofrer sérios problemas energéticos", assegurou Faria.

As necessidades, de acordo com o executivo, são especialmente urgentes em estradas, saneamento e energia, e o Chile é o único país que se salva porque "manteve investimento constante no setor durante muitos anos".

Faria discursou na quinta-feira na conferência "Downstream Engineering, Construction and Maintenance", que é organizada pelo American Chemistry Council (ACC) e patrocinada pela Odebrecht. O evento reuniu até esta sexta-feira cerca de mil representantes de grandes companhias petroquímicas do mundo com negócios nos Estados Unidos, entre as quais se encontram ExxonMobil, Shell, BP e Chevron. EFE

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