Acordo entre Mercosul e UE é encarado como antídoto contra o protecionismo

Jesús García Becerril.

Madri, 3 jul (EFE).- Lideranças políticas da União Europeia (UE) e do Mercosul apostaram nesta segunda-feira em selar até o final do ano um amplo acordo entre os dois blocos como o melhor antídoto contra a tendência ao protecionismo.

A Casa da América, em Madri, recebeu hoje um seminário sobre as negociações para esse acordo, que começaram formalmente em 1999, sofreram interrupções abruptas e altos e baixos e só foram retomadas no ano passado com uma troca de ofertas comerciais.

Os participantes concordaram quanto à complexidade das negociações e à necessidade de todos saírem ganhando, com a perspectiva de que sejam abertos reciprocamente os mercados de quase 300 milhões de habitantes na América do Sul e de 500 milhões no caso da UE.

A comissária de Comércio da União Europeia, Cecilia Malmström, se mostrou convicção de que o futuro acordo representará "uma janela de oportunidades" e um novo impulso para ambas as regiões, uma ideia similar à do ministro de Relações Exteriores da Espanha, Alfonso Dastis, que destacou o "impacto positivo" de suas medidas.

O comércio global apresenta novas regras e realidades, e enquanto alguns países optam por construir muros, "devemos construir pontes", ressaltou Cecilia.

A mesma ideia foi expressada pelo ministro de Relações Exteriores da Argentina, Jorge Marcelo Faurie, para quem o pacto comercial entre os blocos seria uma boa resposta ao protecionismo atual e à tendência a "muros".

"Estamos preocupados com o protecionismo, e é preciso dar uma resposta clara. Nunca o momento foi mais oportuno", disse o chanceler argentino, que também está ciente das dificuldades da negociação atual com os europeus.

Algumas dessas dificuldades são as tarifas e os longos processos de certificação e proteção dos produtos alvos de negociação.

Por exemplo, o Mercosul paga cerca de 4 bilhões de euros em tarifas por suas exportações, o que dificulta a entrada de seus produtos no mercado europeu.

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, apontou que, com o acordo, "o fluxo de comércio entre as duas regiões aumentará em mais de 50% em 2030".

Além disso, destacou os esforços dentro do bloco sul-americano para estreitar suas relações e destacou a importância de não deixar "pontas soltas" na região antes de prosseguir com a negociação de acordos com novas zonas geográficas.

Atualmente, a UE é o maior parceiro comercial do Mercosul, com 16,5% das importações.

O ministro de Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, defendeu envolver as pequenas e médias empresas dos países e também a sociedade, já que se a população não encarar este acordo como benéfico, "haverá dificuldades" para formalizá-lo.

O chanceler do Paraguai, Eladio Loizaga, também mencionou as empresas e disse que seu país precisa buscar mercados e ser mais competitivo fora do Mercosul.

As negociações continuarão durante o mês de julho, com elementos que, por enquanto, são ponto de divergência, como a importação de produtos agrícolas. Por outro lado, houve avanços em procedimentos de licença para a importação e exportação e a definição de direitos alfandegários.

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