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OMC identifica o "Brexit" como um dos principais desafios do bloco

Genebra, 5 jul (EFE).- A Organização Mundial do Comércio (OMC) considera o "Brexit", a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), como um dos principais desafios que o bloco comunitário deverá enfrentar, e advertiu que seu efeito no comércio dependerá do resultado das negociações.

A OMC começou a analisar nesta quarta-feira as políticas comerciais da UE, sua implementação e seus efeitos e, para isso, elaborou um relatório em que especifica que durante os últimos dois anos "houve vários problemas e riscos que afetaram a economia da União Europeia e que é provável que estes continuem no futuro próximo".

O primeiro risco é o do "Brexit". Apesar de os economistas da OMC terem explicitado que "as consequências do referendo ainda não estão claras", nem para o Reino Unido nem para a UE, os mesmos assinalam que "sua repercussão nas correntes de comércio e investimento, em grande medida, dependerá do resultado das negociações sobre a saída".

Além disso, o relatório identifica o desafio que representou para muitos países europeus a chegada de um elevado número de refugiados, que provocou "crescimento nas despesas fiscais em muitos países e aumento nos controles nas fronteiras".

Além disso, o documento aponta as variações nos preços do petróleo, o terrorismo e a incerteza eleitoral e política como outros fatores "que tiveram repercussão" nos intercâmbios de bens e serviços da UE.

Outro problema identificado pela OMS é a baixa taxa média de crescimento da UE e as grandes diferenças entre os Estados-membros, o que pode ter uma repercussão no comércio.

A OMC enfatizou que as políticas de comércio e investimento da UE são importantes para outros países e para o sistema multilateral de comércio, "e interessa à organização, em seu conjunto, a forma com a qual a UE enfrenta as dificuldades atuais".

O vice-diretor-geral de Comércio da Comissão Europeia, Joost Korte, quis aproveitar precisamente esta ocasião para fazer uma reflexão sobre a OMC, pois considera que falta um "esforço sério e organizado para fortalecê-la".

"Nos preocupa que haja uma desconexão crescente entre os princípios que formam a base do sistema (...) e a realidade, entre a teoria e a prática, e entre o que faz esta organização e o que deveria fazer realmente", indicou Korte.

O alto funcionário da Comissão Europeia se referiu à função de deliberação da OMC, pois as diferenças sobre como discutir certas questões chegaram a bloquear o trabalho do Conselho Geral, e ao fato de que questões "infinitas" sobre procedimentos deixaram temas importantes paralisados.

Tampouco o trabalho regular da OMC é tão efetivo como deveria, segundo Korte, sobretudo diante da falta de cumprimento das notificações dos Estados-membros, por exemplo, na questão dos subsídios, e a consequente falta de transparência.

Além disso, a função da resolução de disputas da OMC, a joia da coroa da organização, se encontra sob pressão, lamentou o vice-diretor-geral de Comércio da União Europeia.

Diante deste cenário, Korte reiterou que o esforço individual "não é suficiente para impulsionar esta organização e proteger o sistema multilateral", especialmente diante de tendências protecionistas e do descontentamento expressado por parte da população mundial a um comércio global que não beneficia a todos por igual.

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