Google demite engenheiro que questionou capacidade de suas companheiras

Nova York, 7 ago (EFE).- O gigante tecnológico Google demitiu o engenheiro James Damore, que questionou a capacidade de suas companheiras em um memorando de distribuição interna que gerou críticas na companhia, segundo confirmou o ex-funcionário em um e-mail enviado à agência "Bloomberg".

No citado documento, intitulado "A câmara de ressonância ideológica do Google", o agora ex-empregado do Google expunha as suas ideias nas quais questionava as considerações sobre diversidade de gênero da empresa, cujo máximo responsável Sundar Pichai considera transgridem os valores da empresa.

Em uma comunicado a todos os funcionários e depois divulgado através da conta oficial no Twitter, Pichai sustenta que tais avaliações violam o código de conduta da companhia e opina que cruzou "uma linha ao promover estereótipos de gênero que causam dano em nosso centro de trabalho".

Para o primeiro executivo da empresa californiana, essas manifestações não são legais e são "ofensivas".

No entanto, o ex-funcionário da "The Alpabhet Inc.", empresa da qual a Google é subsidiária, diz que foi demitido "para perpetuar os estereótipos de gênero".

Não obstante, o máximo executivo do Google, que precisa que estava de férias após uma viagem de trabalho pela África e pela Europa e reconhece as turbulências no seio da empresa pela controvérsia, assegura que fomentará a livre expressão de ideias, mas com respeito ao código ético da companhia.

A divisão interna obrigou Pichai a cancelar suas férias e se reincorporar hoje, segundo aponta no comunicado aos empregados da assinatura.

A propagação do documento no passado fim-de-semana suscitou críticas e obrigou à recentemente renomada vice-presidente de Diversidade, Integridade e Governança do Google, Danielle Brown, a se pronunciar.

Brown, que defendeu a diversidade e a inclusão como valores essenciais no sucesso empresarial, disse que para criar um "entorno aberto e inclusivo" as pessoas com opiniões políticas diferentes devem se sentir seguras na hora de se expressar.

No caso do Google, Brown disse que esse discurso "deve se alinhar com os princípios de contratação igualitária" regidos pelas leis e políticas antidiscriminatórias e pelo código de conduta interna.

Ex-trabalhadores do gigante tecnológico destacaram em diferentes redes sociais, que o memorando foi apoiado por um certo número de pessoas, algo que reflete a cultura que o Google tenta mudar.

"Mudar uma cultura é duro, e frequentemente incômodo. Mas firmemente acredito que o Google está fazendo o correto e por isso aceitei este trabalho", disse Brown, que enviou as estatísticas demográficas da firma.

Em conjunto, Google emprega globalmente 31% de mulheres, proporção que se reduz a 20% em postos relacionados com a tecnologia e a 25% nos de liderança, segundo dados de janeiro.

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