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Brasil pede que UE ponha "cartas sobre a mesa" para acordo com Mercosul

Bruxelas, 29 ago (EFE).- O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, sugeriu nesta terça-feira que União Europeia (UE) e Mercosul ponham "as cartas sobre a mesa" para canalizar o mais rápido possível as negociações para fechar um acordo de livre comércio.

O chanceler, que se reuniu hoje com autoridades europeias para avançar nas negociações, disse compreender que "há assuntos sensíveis" para os europeus, como alguns produtos agrícolas, mas disse que também têm reticências do lado brasileiro com "alguns bens industriais".

"O que é preciso fazer é pôr as cartas sobre a mesa e começar a negociar", destacou o ministro, que também defendeu que ambas partes sejam honestas e deixem claras as suas prioridades "para poder chegar a um acordo em que todos ganhem, para resolver as diferenças, que disso é feita a política".

Nesse sentido, disse que para o Brasil as linhas vermelhas são a retirada de tarifas, total ou progressiva, para a exportação à UE de carne de bezerro e etanol.

"Não haveria acordo. O acordo tem que ser benéfico para ambas partes", declarou Nunes a um grupo de jornalistas ao ser perguntado se aceitaria um acordo que vetasse a exportação brasileira de ambos produtos, entre os mais sensíveis para a UE.

O chanceler reiterou sua vontade - que segundo ele é compartilhada pela comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström - de chegar a um acordo entre UE e Mercosul antes do final do ano.

Foi justamente com Malmström e o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, que o chanceler se reuniu nesta terça-feira na capital comunitária, onde também terá um encontro com a alta representante para a UE, Federica Mogherini.

Antes de Bruxelas, viajou para Londres e Paris, com a intenção de reativar as negociações do acordo, cuja assinatura o Mercosul (formado ainda por Argentina, Uruguai e Paraguai) quer anunciar na reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) do próximo mês de dezembro em Buenos Aires.

Sobre o futuro das relações comerciais entre o Brasil e o Reino Unido após o "Brexit", o chanceler afirmou que é um assunto que só será tratado uma vez que Londres fique fora do bloco, em 2019.

Nesse sentido, assegurou que na capital britânica não falaram de assuntos comerciais, senão da entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Por outro lado, o ministro brasileiro também expressou sua vontade às autoridades europeias de realizar no país uma cúpula bilateral UE-Brasil nos próximos meses, um evento adiado pelas turbulências políticas em Brasília e que deveria ter acontecido já no ano passado.

A propósito da situação política no país, e do futuro do presidente Michel Temer, o chanceler garantiu que "não terá nenhum efeito nas negociações" porque, ainda que haja mudança de governo, "a postura de todos no Brasil sobre este assunto é a mesma".

"No Brasil todo mundo concorda quanto à integração comercial, não há fraturas de pontos de vista dentro do país, como ocorre em alguns Estados europeus", disse Nunes, em referência a posturas nacionalistas e eurocéticas contrárias à integração e ao livre comércio.

As negociações para um acordo de associação - que inclui um tratado de livre comércio - entre a UE e os quatro países do Mercosul começaram em 1999, mas foram suspensas em 2004 após uma infrutífera primeira troca de ofertas de acesso a mercados.

As tratativa foram retomadas em 2010, à margem de uma cúpula UE-América Latina em Madri com o objetivo de voltar a trocar ofertas em poucos meses, algo que se foi adiando uma e outra vez devido a diferenças internas ou falta de ambição nos objetivos do acordo.

A UE é a região que mais investe no Brasil, chegando a US$ 262 bilhões em 2014, segundo os últimos dados divulgados.

O comércio entre os 28 países do bloco e o Brasil alcançou um volume de US$ 65 bilhões, de acordo com informações do Itamaraty. EFE

lmi/rsd

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