Presidente da Efe afirma que "fake news" atrofiam a mente das pessoas

Dunhuang (China), 19 set (EFE).- O presidente da Agência Efe, José Antonio Vera, afirmou nesta terça-feira, em um evento com mais de 300 jornalistas de todo o mundo, que as "fake news" atrofiam a mente das pessoas, por torná-las "intolerantes e sectárias", e comparou o efeito dessas notícias rápidas com o provocado por "fast foods" no corpo humano.

Vera, que discursou hoje no III Fórum de Meios de Comunicação dos Países da Rota da Seda, propôs como antídoto para a divulgação de "fake news" ou da chamada "pós-verdade" o trabalho jornalístico sério e com compromisso profissional.

O fórum é realizado desta vez na cidade de Dunhuang, na província de Gansu, no oeste da China, um antigo oásis de onde partiam antigamente as caravanas da Rota da Seda.

Para uma audiência de mais de 300 executivos de imprensa e jornalistas internacionais, assim como muitos profissionais chineses, o presidente da Efe afirmou que as "fake news" são para a informação o que as "fast foods" são para a alimentação saudável.

Assim como a "fast food" tem um "sabor viciante que nos atrai, mas que produz com o tempo doenças cardiovasculares e obesidade", as notícias falsas "nos divertem porque frequentemente são escandalosas e nos contam coisas que queremos ouvir", explicou Vera.

"Mas, sem nos darmos conta, todas essas mentiras e adulterações da realidade passam a fazer parte da nossa opinião e nos tornamos intolerantes e sectários. Elas nos atrofiam a mente", indicou.

Vera explicou que as notícias falsas e adulteradas se proliferam por uma razão muito simples: "confundimos informar com opinar".

"Informar é algo mais difícil, mais exigente, mais caro e mais responsável do que opinar. Quem opina pode fazer qualquer coisa e às vezes com intenções inconfessáveis", completou.

O presidente da Efe deixou claro que só podem informar profissionais com um nível de compromisso e de formação que "garantam suas notícias e a veracidade das mesmas".

"Trata-se de elaborar notícias que não só buscam 'likes' à custa de sensacionalismo e opiniões baratas, mas sim que buscam entreter, formar e informar", afirmou Vera.

Nesse contexto, o presidente da Efe elogiou o trabalho das agências de notícias que, da "humildade do anonimato", assumem o "extraordinário desafio de informar 24 horas por dia todos os dias do ano". Segundo Vera, as agências dão aos clientes a "gasolina necessária para funcionar".

"Sem opinar, sem julgar nem inventar, só contando o que está ocorrendo", explicou o presidente da Efe.

Participaram do fórum neste ano 303 jornalistas de 126 países e 265 veículos, entre eles os presidentes das agências latino-americanas "Notimex", "Télam" e "Prensa Latina", além dos diretores da "Associated Press", "Reuters", "Bloomberg", "Sputnik", "Tass" e de empresas como Microsoft e Facebook.

Também havia executivos e jornalistas de jornais como "Financial Times", "Le Monde", "The Guardian", "Daily Mail", "Pravda", "Jerusalem Post", "Clarín", "El Mercurio", "El Mundo", entre outros veículos de imprensa dos cinco continentes.

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